O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou esta quinta-feira tarifas de 15% e a aplicação de preços mínimos sobre as importações de componentes essenciais à produção de painéis solares e semicondutores.As novas medidas, justificadas por essas compras ao exterior alegadamente representarem uma ameaça para a segurança nacional dos Estados Unidos, visam o polissilício, uma matéria-prima essencial para fabricar painéis solares e também utilizado na produção de semicondutores.A Casa Branca afirmou que a medida visa reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros de materiais estratégicos, reforçar a capacidade transformadora norte-americana e garantir o abastecimento a indústrias ligadas à energia e às tecnologias avançadas.A medida foi incluída numa ordem executiva divulgada pela Casa Branca, que se baseia numa investigação do Departamento do Comércio realizada ao abrigo da Secção 232 da Lei de Expansão Comercial de 1962.O documento conclui que as importações de polissilício e dos derivados "ameaçam prejudicar a segurança nacional" norte-americana e ordena a aplicação de restrições para reforçar a produção nacional.As novas restrições, que abrangem o polissilício, os lingotes, as bolachas de silício (wafers), as células solares e os módulos fotovoltaicos, entram em vigor no próximo dia 04 de dezembro.A ordem determina que os departamentos do Comércio e da Segurança Nacional supervisionem a aplicação das medidas e avaliem a necessidade de novos ajustamentos para proteger a indústria norte-americana.Embora esta ordem não mencione expressamente a China, a decisão surge num contexto em que o país asiático domina a produção mundial de polissilício e grande parte da cadeia de abastecimento de painéis solares.Apesar das restrições anunciadas, os principais fabricantes chineses de equipamentos e materiais solares reagiram com fortes subidas nos mercados bolsistas de Xangai e Hong Kong.Produtores de polissilício como a Xinte Energy (+9,4%), a Tongwei (+6,74%) e a GCL (+6,72%) lideraram os ganhos, acompanhados por grandes fabricantes de componentes fotovoltaicos como a Xinyi Solar (+6,47%), a Jinko Solar (+2,53%) e a Longi Green Energy (+2,2%).A tranquilidade dos investidores reflete a posição das próprias empresas, que consideram o impacto das medidas reduzido. Fontes não identificadas da Trina Solar assinalaram à agência de notícias EFE que o polissilício representa apenas um elo da sua cadeia de produção e que as vendas diretas para o mercado norte-americano são residuais, sendo frequentemente efetuadas através de terceiros.Paralelamente, gigantes do setor como a Longi Green Energy têm vindo a reestruturar as operações nos EUA e a ajustar as cadeias de abastecimento aos requisitos locais, procurando contornar as tensões comerciais e a situação de excesso de capacidade e forte concorrência no mercado interno chinês.O Governo norte-americano revelou recentemente já ter reembolsado 100 mil milhões de dólares (86,816 mil milhões de euros) em tarifas cobradas ao abrigo da Lei dos Poderes Económicos de Emergência Internacional (IEEPA), que foram declaradas ilegais pelo Supremo Tribunal.As sobretaxas alfandegárias foram anunciadas em abril de 2025 pelo Presidente Donald Trump, que apelidou o anúncio de "Dia da Libertação", mas foram declaradas ilegais em fevereiro deste ano pela mais alta instância judicial do país. O Supremo deliberou que a Casa Branca excedeu a sua autoridade ao invocar a IEEPA para impor as tarifas.Desde então, a Admnistração Trump tem procurado formas alternativas de continuar a utilizar as tarifas alfandegárias de forma punitiva nas relações internacionais e, em resposta à decisão do Supremo Tribunal, aplicou uma tarifa global de 10%, imposta temporariamente durante 150 dias.No final deste prazo, no final de julho, o Governo norte-americano anunciou a imposição de sobretaxas a 60 parceiros comerciais, justificadas como punição para países que não baniram a importação de produtos fabricados com trabalho forçado..Tarifas: EUA investigam 60 economias estrangeiras por trabalho forçado