Taiwan acusa Pequim de simular invasão à sua ilha principal. Relações EUA-China agravam-se

Pequim realiza exercícios militares perto da costa de Taiwan "destinados a praticar um bloqueio e uma invasão final da ilha", de acordo com analistas.

Taiwan acusou o exército chinês de simular um ataque à sua ilha principal durante este sábado, enquanto Pequim continua a sua retaliação à visita da presidente do Congresso norte-americano, Nancy Pelosi, a Taipé.

A tensão entre as duas superpotências surgiu na sequência da viagem de Pelosi, levando a que as Nações Unidas apelassem a uma urgente redução dos conflitos.

Pequim manteve alguns dos seus maiores exercícios militares em torno de Taiwan durante este sábado - exercícios destinados a praticar um bloqueio e uma invasão final da ilha, dizem os analistas.

Taipé disse ter observado "múltiplos lotes" de aviões e navios chineses a operar na fronteira de Taiwan, alguns dos quais atravessaram uma linha de demarcação que divide o território, mas que Pequim não reconhece: "Foram considerados como estando a conduzir uma simulação de um ataque à ilha principal de Taiwan."

Os militares da ilha democrática mobilizaram patrulhas aéreas e terrestres e implantaram sistemas de mísseis terrestres, disse o ministério da defesa na rede social Twitter.

O secretário de Estado norte-americano Antony Blinken, reunido com o seu homólogo filipino este sábado, disse que Washington estava "determinado a agir de forma responsável" para evitar uma grande crise global.

O ambiente tornou-se a última vítima da disputa geopolítica, uma vez que Pequim disse que se retiraria de uma série de conversações e acordos de cooperação com Washington - sobretudo sobre alterações climáticas e cooperação em matéria de defesa.

"A China não deveria realizar conversações sobre questões de interesse global como as alterações climáticas "reféns", disse Blinken, pois "não castiga só os Estados Unidos, castiga o mundo".

Numa tentativa de mostrar o quão perto as forças da China têm estado a chegar às costas de Taiwan, os militares de Pequim divulgaram um vídeo de um piloto da força aérea que filmou a costa e as montanhas da ilha a partir do seu cockpit.

Também o Comando Oriental do exército chinês partilhou uma foto que disse ter sido tirada de um navio de guerra patrulhando em mares perto de Taiwan, sendo a linha costeira da ilha claramente visível no fundo.

O exército de Taiwan divulgou no sábado imagens de uma das suas fragatas a monitorizar um navio chinês a curta distância e soldados a ativar os seus sistemas de mísseis terrestres.

Os exercícios também viram Pequim disparar mísseis balísticos sobre a capital de Taiwan, de acordo com a imprensa estatal chinesa.

Pequim disse que iria realizar uma simulação de fogo vivo numa parte sul do Mar Amarelo - localizado entre a China e a península coreana - desde este sábado até ao dia 15 de agosto.

Taiwan tem-se mantido desafiante, insistindo que não será acobardado pelo seu "vizinho mau".

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