Susan Collins tornou-se na passada quinta-feira na primeira senadora dos Estados Unidos a exercer o seu direito de voto 10.000 vezes consecutivas, percurso que iniciou em 1997, ano em que foi eleita pela primeira vez pelo estado do Maine. As marcas históricas desta republicana de 73 anos não ficam por aqui: é a eleita do Maine há mais tempo em funções no Congresso e a republicana com o mandato mais longo no Senado. Collins é atualmente a segunda mulher há mais tempo senadora, apenas batida pela democrata Patty Murray, eleita em 1993.O primeiro voto de Susan Collins no Senado foi a 22 de janeiro de 1997, quando votou a favor da confirmação de Madeleine Albright como secretária de Estado de Bill Clinton. O seu segundo voto, no mesmo dia, foi para confirmar o ex-senador do Maine, Bill Cohen (a quem sucedeu no Senado), como secretário da Defesa. No passado dia 4, votou a favor de uma moção democrata para encaminhar o pacote de reconciliação orçamental de 70 mil milhões de dólares de volta para o Comité Judiciário. “Os habitantes do Maine são conhecidos pela sua ética de trabalho e merecem uma senadora que trabalhe com a mesma dedicação por eles”, disse Collins após registar o seu voto n.º 10.000. “Representar o Maine é a maior honra da minha vida e continuarei a servir com a diligência e a responsabilidade que os habitantes do Maine merecem”.Mas os dias de Collins no Senado poderão estar em risco nas eleições intercalares de novembro, altura em que concorrerá ao seu sexto mandato, depois do polémico Graham Platner ter vencido as primárias democratas do Maine desta terça-feira.Platner, um antigo militar de 41 anos, tornou-se notícia na semana passada quando o New York Times publicou um artigo em que ex-namoradas classificaram o comportamento de Platner como “tóxico” e o descreveram como alguém que “não respeita as mulheres”. Polémica que se vem juntar à revelação de que tem no peito uma tatuagem de um símbolo nazi. Mesmo assim, o produtor de ostras - e apesar da revolta de muitos democratas devido a estas polémicas - não só venceu as primárias, como as sondagens têm-lhe dado uma ligeira vantagem ou um empate técnico sobre Collins. De notar ainda que a vitória de Platner no Maine deixaria os democratas mais perto de voltarem a controlar o Senado. De uma maneira ou de outra, Susan Collins já ganhou o seu lugar na história - além dos marcos já referidos, a eleita do Maine é conhecida por ser uma republicana moderada com um grande sentido de independência, surgindo frequentemente como um voto decisivo no Senado, muitas delas ao lado dos democratas. Foi um dos três republicanos a votar contra a revogação parcial do Obamacare desejada por Trump, foi o único republicano a votar contra a confirmação de Amy Coney Barrett (nomeada por Trump) para o Supremo e um dos três a votar a favor da confirmação de Ketanji Brown Jackson (nomeada por Joe Biden). No primeiro julgamento de impeachment de Donald Trump, Collins juntou-se à maioria dos outros senadores republicanos ao votar pela sua absolvição. Mas, no segundo julgamento de impeachment, foi um dos sete republicanos a votar pela condenação de Trump por incitamento à insurreição.No final dos anos 1990, no julgamento de impeachment de Bill Clinton, Collins já havia sido um dos poucos senadores republicanos que votou pela sua absolvição em ambas as acusações.Por outro lado, como republicana pró-escolha, Collins atraiu críticas pelo seu voto para confirmar Brett Kavanaugh para o Supremo, que se juntou à opinião maioritária no caso que anulou o direito federal ao aborto. Um currículo que mesmo assim não desagrada totalmente a a Trump, que recentemente desejou a sua vitória em novembro, afirmando que “ela é uma boa pessoa” e que precisam dela para manter a maioria no Senado. .Trump pôs em risco maioria no Senado na ânsia de se livrar dos republicanos “desleais”.Na corrida ao lugar que era de Marjorie Taylor Greene é MAGA contra MAGA