O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, respondeu esta quinta-feira, 11 de junho, às acusações feitas pelo seu agora ex-ministro da Defesa John Healey, garantindo que um plano fundamental de financiamento da defesa “fornecerá os recursos de que as nossas forças armadas necessitam para nos manter em segurança”.Numa carta dirigida a Healey, e conhecida ao final do dia, Starmer afirmou que está a aumentar as despesas com a defesa “de forma sustentável” e que “empréstimos irresponsáveis” colocariam as finanças do país “em risco”. “Farei sempre o que for necessário para manter o nosso país seguro”, garantiu o líder trabalhista. Keir Starmer agradeceu ainda o trabalho de Healey, lamentando que “ele já não fizesse parte desse trabalho”. E admitiu que o ex-ministro estava “certo ao afirmar que precisamos de ir mais além” nos gastos com a defesa, salientando, porém, que o plano de investimento “faz exatamente isso, proporcionando um aumento sem precedentes nos gastos com a defesa de forma sustentável”. “As finanças públicas sólidas são parte do que nos mantém seguros, os empréstimos irresponsáveis só colocam isso em risco”, rematou Starmer.John Healey anunciou esta quinta-feira de manhã a sua demissão, tendo deixado na carta que enviou ao primeiro-ministro críticas à forma como está a ser encarada a defesa do país “neste momento de crescentes ameaças”. “Esta nova era exigiu mais investimentos através do Plano de Investimento em Defesa. O excelente e abrangente trabalho intergovernamental concluído em janeiro - supervisionado por si, por mim e pela chanceler [Rachel Reeves, que tem a pasta das Finanças] - confirmou a dimensão do desafio e as crescentes exigências em matéria de defesa”, pode ler-se na carta. “Desde então, não conseguiu, e o Tesouro não quis, comprometer os recursos de que a nação necessita para defender o país neste momento de crescentes ameaças.”Para Healey, que ocupava a pasta da Defesa desde julho de 2024, “existem formas viáveis de enfrentar os desafios de financiamento a médio prazo, trabalhando em conjunto com outras nações, como já fazem outros países europeus, para garantir a nossa capacidade de cumprir as missões do nosso governo”.Dirigindo-se ainda a Starmer, o trabalhista referiu que o primeiro-ministro “sabe do que a defesa precisa”. “Defendeu-o de forma convincente no seu discurso na Conferência de Segurança de Munique, em fevereiro. Sem um Plano de Investimento em Defesa que vá ao encontro das necessidades do momento, sou obrigado a tomar decisões que reduziriam a prontidão das nossas Forças Armadas, aumentariam o risco para o pessoal em operações e poderiam tornar o país menos seguro”.Governo a "desmoronar-se" A líder dos conservadores, Kemi Badenoch, afirmou esta quinta-feira que o governo de Keir Starmer “está a desmoronar-se”, em reação à demissão do ministro da Defesa, John Healey. “O seu ministro da Saúde demitiu-se há duas semanas. O ministro da Defesa demitiu-se num momento crítico, em que enfrentamos ameaças globais, e fá-lo porque o primeiro-ministro está a tentar agradar aos seus parlamentares investindo na assistência social em vez da defesa”, declarou Badenoch. “Keir Starmer não tem plano nenhum. Não vejo como pode continuar neste cargo. Ele não consegue governar o país”. Mas a própria Badenoch foi esta quinta-feira alvo de críticas, depois de ter sugerido, numa entrevista ao Spectator, que se o populista Reform UK fosse o maior partido num parlamento sem maioria absoluta, os conservadores poderiam permitir que Nigel Farage formasse um governo minoritário. Mas descartou um acordo pré-eleitoral com o Reform UK. .Ministro da Defesa britânico demite-se e deixa críticas a Keir Starmer.Starmer desafia críticos a lançar corrida à liderança. O que é preciso para o fazer?