Sputnik V. Especialistas europeus preparam inspeções a fábricas russas

"Continuamos a ter algumas questões a que a empresa precisa de responder", afirma Emer Cooke.

Peritos europeus da Agência do Medicamento estão a preparar uma deslocação à Rússia para realizarem inspeções às instalações da fábrica da Sputnik V, onde pretendem recolher informação em falta sobre a produção da vacina.

Ouvida na manhã desta terça-feira no Parlamento Europeu, a diretora da Agência Europeia do Medicamento, Emer Cooke disse que os especialistas vão também recolher informação em centros clínicos sobre a vacina russa.

Questionada pelos eurodeputados sobre uma data aproximada para apresentar conclusões sobre a vacina, numa altura em que a Europa se debate com a escassez de doses para imunizar a população, Emer Cooke não se compromete com prazos.

Para já afirma que ainda não recebeu todos os dados para uma avaliação dentro dos padrões europeus. Mas Emer Cooke afirma que a avaliação da Sputnik V está a avançar.

"Estamos a planear inspeções a fábricas e centros clínicos na Rússia", adiantou a diretora-executiva da Agência Europeia do Medicamento. "Estamos comprometidos a aplicar os mesmos padrões e escrutínio a esta avaliação, como para qualquer outra avaliação científica", acrescentou.

"Continuamos a ter algumas questões a que a empresa precisa de responder. E temos de esperar que esses dados sejam enviados pela empresa, antes de podermos fazer uma avaliação, normalmente é aí que alguns atrasos têm lugar", apontou, rejeitando responsabilidades da UE na demora na apresentação de conclusões sobre a vacina russa.

"Instamos a empresa a apresentar essa informação tão depressa quanto possível", apelou, lembrando que não é apenas a vacina russa que está em avaliação, mas também os fármacos desenvolvidos pela Covax e pela Novavax.

Além disto, os peritos do regulador europeu estão também a avaliar outras substâncias "promissoras" para o tratamento da covid-19.

"Os anticorpos mono-clonais são estão atualmente entre as opções mais promissoras contra a covid-19. E nós estamos também a preparar relatórios sobre três destes produtos que foram desenvolvidos pela regerenon, Eli Lilly, e Celltrion", disse.

A diretora da agência europeia do medicamento não se compromete com prazos, mas garante que os especialistas estão a recolher dados para apresentar conclusões o mais rapidamente possível.

O presidente russo Vladimir Putin dirigiu ontem críticas a União Europeia, sobre um suposto posicionamento das autoridades europeias em relação à vacina russa Sputnik V, que estará a atrasar a sua aprovação.

"Não queremos forçar ninguém a fazer o que quer que seja, mas interrogo-me sobre os interesses que defendem essas pessoas: será o das empresas farmacêuticas ou o dos cidadãos europeus?", questionou Vladimir Putin, garantindo "poder dizer com segurança que as vacinas russas são absolutamente confiáveis e seguras".

"É um sucesso absoluto dos nossos cientistas e especialistas", frisou Vladimir Putin, com isso criticando a União Europeia, que se debate com a escassez de doses para imunizar a sua população.

Ainda ontem, o ministro português dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva afirmou que a União Europeia "não distingue vacinas pela nacionalidade das empresas produtoras", mas sim "segundo a sua qualidade e a sua fiabilidade".

"Não somos nós os políticos, nem são os corpos ou as instâncias políticas de decisão da União Europeia que decidimos que vacinas são suficientemente fiáveis e suficientemente eficazes e suficientemente seguras para serem aplicadas na União Europeia", disse Santos Silva, lembrando que quem decide é a Agência Europeia do Medicamento. (...) uma instância técnica [e] por critérios puramente técnicos".

"Das três vacinas que são produzidas na Rússia, que foram descobertas e desenvolvidas por laboratórios e empresas russos, uma delas, a Sputnik 5, - acho que é assim que se diz - já foi apresentada à Agência Europeia do Medicamento para procurar obter uma certificação, e esse processo técnico está em curso", afirmou.

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