Sondagens: Mais britânicos querem regressar à União Europeia do que franceses e italianos querem ficar
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Sondagens: Mais britânicos querem regressar à União Europeia do que franceses e italianos querem ficar

O fenómeno do "Bregret" atinge novos picos no Reino Unido neste novo ano. Já Portugal mantém-se como o pilar de estabilidade e confiança no projeto europeu.
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A paisagem política europeia atravessa um momento de redefinição (ou indefinição) neste início de 2026, dos dois lados do Canal da Mancha. No Reino Unido, o que começou como uma tendência estatística isolada em 2024 consolidou-se neste início de janeiro como uma mudança de paradigma: o desejo dos britânicos de regressar à União Europeia (UE) é, agora, numericamente comparável ou até mesmo superior ao apoio líquido à permanência em potências fundadoras do bloco.

De acordo com os dados mais recentes do "Brexit Tracker" do YouGov de janeiro de 2026, 50% dos britânicos votariam agora pelo reingresso, enquanto apenas 31% defendem a manutenção fora da união -- um fosso de 19 pontos percentuais que isola os defensores do Brexit.

O "Bregret" de 2024 contra 2026

Para compreender a magnitude desta mudança no "Breget" é necessário recuar a setembro de 2024. Naquela altura, a sondagem da Savanta para o The Independent revelou que o entusiasmo pelo "Rejoin" no Reino Unido (59%) tinha ultrapassado a vontade de permanecer na UE em países como a França (54%) e a Itália (51%).

Dois anos depois, em 2026, os números mostram uma estabilização deste fenómeno, mas com nuances... Enquanto o Reino Unido estabilizou o seu desejo de retorno em torno dos 50-54% (dependendo da margem de erro e da consultora utilizados), o apoio à permanência em França e Itália continua sob pressão. Em solo francês, o apoio à UE oscila agora nos 52%, fustigado pela impopularidade recorde de Emmanuel Macron (16%). Em Itália, os números são ainda mais apertados, com o apoio à permanência a fixar-se nos 50%, refletindo uma divisão profunda na sociedade italiana sobre o papel de Bruxelas na gestão da economia e imigração.

Portugal mantém-se como porto de abrigo europeu

No meio desta reconfiguração de sentimentos, Portugal destaca-se como um exemplo de estabilidade e euro-entusiasmo. Enquanto as grandes potências europeias mostram sinais de fadiga, os dados do mais recente Eurobarómetro (setembro de 2025) indicam que cerca de 73% dos portugueses consideram que o país beneficiou diretamente da adesão à UE.

Já o apoio à permanência, esse, mantém-se firme nos 68%. Portugal afirma-se assim como um dos estados-membros mais convictos. Para os portugueses, a pertença ao bloco continua a ser vista como uma garantia de estabilidade democrática e de influência global, um contraste absoluto com o sentimento de isolamento que agora domina grande parte do debate político europeu.

Pressão política e "Bregret"

Segundo o YouGov, 56% da população britânica admite agora, em retrospetiva, que a saída da UE foi um erro.

Este sentimento de "Bregret" coloca o governo de Keir Starmer (com apenas 17% de popularidade em janeiro de 2026) sob uma pressão constante. Embora Londres mantenha uma cautela diplomática extrema para não reacender guerras culturais, a realidade económica -- marcada por uma perda de competitividade acumulada -- parece estar a forçar uma reaproximação inevitável.

Fichas técnicas e notas metodológicas:

A sondagem da Savant foi realizada para o The Independent com 2.050 adultos no Reino Unido entre 20 e 22 de setembro de 2024. Método: Online com ponderação demográfica. Margem de erro: ±2,2%.

A metodologia do YouGov utiliza uma amostragem ativa e modelo MRP (Multilevel Regression and Post-stratification). Os resultados são ponderados por idade, género, educação e comportamento eleitoral passado (2016 e 2024), garantindo uma precisão elevada e eliminando flutuações estatísticas irrelevantes.

O Eurobarómetro utiliza dados baseados no inquérito especial da Comissão Europeia (no caso, de setembro de 2025), com foco na perceção de benefícios e apoio institucional.

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