Os abalos deixaram um rasto de destruição em Caracas
Os abalos deixaram um rasto de destruição em CaracasRAYNER PENA/EPA

Sismos na Venezuela. Governo sem conhecimento de vítimas portuguesas até ao momento

"Foi um sismo intenso ou muito forte e de grande duração, parecia que não iria terminar nunca", descreveu um português que sentiu o abalo.
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O secretário de Estado das Comunidades, Emídio Sousa, afirmou que para já não há indicação de portugueses entre as vítimas dos sismos registados na Venezuela, adiantando que o Governo está a acompanhar a situação.

“Para já não. Temos feito múltiplos contactos. Temos todos os nossos serviços no terreno, embaixada e consulados e até com pessoas que conheço do movimento associativo e até ao momento não temos conhecimento de vítimas portuguesas”, disse à agência Lusa Emídio Sousa, admitindo que a situação está difícil, com derrocadas de alguns edifícios.

“É possível que haja [vítimas portuguesas], mas para já não temos nenhuma informação de vítimas portuguesas”, salientou.

O sismo de magnitude 7,5 que atingiu a Venezuela foi o mais forte registado naquele país em mais de um século, segundo dados históricos avançados pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS).

“Estamos a tentar deixar de tremer do susto". Foi assim que um comerciante português descreveu à Lusa o que sentia pouco depois dos abalos de 7,5 de magnitude que atingiram a Venezuela. "Foi um sismo intenso ou muito forte e de grande duração, parecia que não iria terminar nunca", acrescentou José Gonçalves, que estava em casa, em Caracas, em La Campiña, quando sentiu que o sofá estava a tremer e pouco depois toda o apartamento, antes de ficar sem eletricidade.

“Foi o tremor mais forte que senti até hoje, ainda sinto o corpo a tremer do medo. Os jarros e todas as coisas que estavam em cima do móvel caíram, estão em pedações no chão”, explicou.

Apesar das dificuldades nas comunicações, vários portugueses explicaram telefonicamente à Lusa, que o sismo foi sentido fortemente também em localidades como Valência, 150 quilómetros a oeste e Higuerote, 120 quilómetros a leste da capital.

Segundo Matilde Freitas várias réplicas foram sentidas, tendo várias zonas de Higuerote ficado sem eletricidade e sem telefones, e que algumas pessoas saíram dos edifícios a chorar com medo.

 Ainda em Caracas, o venezuelano Juan Carlos Garcia Pérez explicou à Lusa que “estava deitado a ver televisão e de repente a cama começou a abanar. Levantei-me e poucos segundos depois começou a tremer muito brusco, mais forte”.

“Olhei pela janela para ver outros edifícios e estavam a tremer. Fiquei sem saber se esperar que tudo passasse ou descer para a rua de uma vez”, frisou.

Na quarta-feira, a Venezuela registou dois sismos de magnitude 7,1 e 7,5 graus na escala de Richter, com apenas 39 segundos de intervalo, levando milhares de pessoas para as ruas da cidade de Caracas, a capital do país, onde várias zonas ficaram às escuras, caiu o sinal de Internet, as ligações telefónicas sofreram falhas, e a operadora de telefónica celular Movistar ficou temporariamente sem serviço.

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, disse que os dois sismos causaram pelo menos 32 mortos e mais de 700 feridos, mas o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) estima, com base em modelos informáticos, entre 10 mil e 100 mil mortes.

Os consulados-gerais de Portugal nas cidades venezuelanas de Caracas e Valência, disponibilizaram números telefónicos para que os portugueses informem sobre situações de emergência.

“O consulado-geral de Portugal em Caracas está a acompanhar a situação e atento a qualquer emergência”, explica um aviso divulgado nas redes sociais das reapresentações portuguesas.

Os contactos para comunicar situações urgentes são o número +58 414-466.53.50 e o e-mail cgcaracas@mnet.pt para a região de Caracas e o número +58 412-040.55.65 e o correio eletrónico valencia@mne.pt para a área de Valência.

Através do Ministério dos Negócios Estrangeiros, o Governo Português expressou "profunda solidariedade a todo o povo venezuelano e, em especial, à comunidade portuguesa e luso-descendente".

"O Governo está, desde o primeiro minuto, em contacto com as nossas missões diplomática e consulares, bem como com as estruturas da nossas comunidade e com as autoridades nacionais e locais", diz uma mensagem do ministério tutelado por Paulo Rangel.

"Para lá da expressão de solidariedade às famílias enlutadas, aos feridos e a todos os afetados, o Governo mostrou disponibilidade para envio de ajuda de emergência e humanitária em coordenação com as autoridades da Venezuela", refere ainda o Ministério dos Negócios Estrangeiros na mensagem publicada nas redes sociais.

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Sismos de magnitude 7,5 e 7,2 fazem pelo menos 32 mortos e 700 feridos na Venezuela
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