Luis foi detido por agentes do Serviço de Imigração e Controlo de Fronteiras (ICE, na sigla em inglês) dos Estados Unidos após uma audiência no tribunal de imigração no Edifício Federal Jacob K. Javits, em Nova Iorque, a 26 de agosto de 2025. Imigrante equatoriano, não tinha, segundo a família, antecedentes criminais e era o único sustento do agregado. A mulher, Cocha, e os três filhos, de 7, 13 e 15 anos, estavam destroçados. É isto que mostra a fotografia Separados pelo ICE, de Carol Guzy, vencedora do World Press Photo 2026, anunciado esta quinta-feira, 23 de abril."Esta imagem mostra a dor inconsolável de crianças que perdem o pai num local construído para a justiça. É um registo impactante e necessário da separação familiar após as políticas de reforma dos EUA. Numa democracia, a presença da câmara naquele corredor serve como testemunha de uma política que transformou tribunais em locais de vidas destruídas — é um exemplo poderoso de por que razão o fotojornalismo independente importa", diz a diretora executiva do World Press Photo, Joumana El Zein Khoury.A fotografia faz parte de um conjunto vasto de trabalhos de Carol Guzy, 70 anos, para quem o prémio “destaca a importância crucial desta história em todo o mundo”. “Testemunhamos o sofrimento de inúmeras famílias, mas também a sua força e resiliência que transcendem a adversidade, o que tem sido bastante comovente. A coragem de abrir as suas vidas às nossas câmaras permitiu-nos contar as suas histórias", diz a fotógrafa citada em comunicado. "E certamente que este prémio pertence a eles, não a mim", acrescenta.A nota do World Press Photo realça que o que Carol Guzy documentou “não é um caso isolado, mas uma política aplicada indiscriminadamente a pessoas que vão a audiências de boa-fé”. “É uma prova e um registo de uma política governamental aplicada sistematicamente a pessoas que seguiram as regras que lhes foram dadas”, acrescenta.A associação neerlandesa Wold Press Photo elegeu ainda duas imagens finalistas: uma tirada em Gaza por Saber Nuraldin, da EPA, em julho, que mostra palestinianos a subir para um camião de ajuda humanitária na Faixa de Gaza; e outra, de Victor J. Blue, para o The New York Times, que tem em primeiro plano Paulina Ixpatá Alvarado, que foi mantida em cativeiro e agredida durante 25 dias em 1983, juntamente com outras mulheres, que aguardam frente a um tribunal da cidade de Guatemala a decisão que acabaria por ditar a condenação de três ex-patrulheiros da defesa civil a 40 anos de prisão por violação e crimes contra a humanidade.