Um F-18 descola do USS Abraham Lincoln, um dos porta-aviões que os EUA usaram para lançar ataques ao Irão.
Um F-18 descola do USS Abraham Lincoln, um dos porta-aviões que os EUA usaram para lançar ataques ao Irão.MARINHA DOS EUA

Seis meses de guerra no Irão já custaram 43,6 mil milhões de dólares aos EUA

A maior parcela dos gastos militares norte-americanos no Irão está relacionado com a necessidade de munições. Segundo o Comando Central dos EUA, as despesas com armamento chegaram aos 28,1 mil milhões
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Além da disrupção nos preços do petróleo, que se projeta no aumento de custo de vida e impacta a economia à escala global, a guerra com o Irão está a transformar-se numa operação militar de enorme dimensão financeira para os Estados Unidos. A fatura conhecida já ascende a 43,6 mil milhões de dólares (cerca de 37 mil milhões de euros) e a conta cresce a um ritmo vertiginoso, com mais de seis mil milhões de dólares acrescentados à despesa com armamento em pouco mais de um mês.

O valor consta de uma nova estimativa do Comando Central dos EUA (CENTCOM), responsável pelas operações militares norte-americanas no Médio Oriente, fornecida esta semana ao Congresso e obtida pela Associated Press (AP), e reporta-se a 3 de setembro, seis meses depois do início da guerra, lançada pelos Estados Unidos e por Israel a 28 de fevereiro.

Uma fatura que, com o arrastar do conflito, se prevê que continue a aumentar. Um relatório do Congressional Budget Office (CBO, o gabinete orçamental do Congresso), divulgado esta semana, calcula que a operação no Médio Oriente possa continuar a consumir cerca de três mil milhões de dólares por mês a Washington.

A maior parcela dos gastos militares norte-americanos no Irão está relacionado com a necessidade de munições. Segundo os dados do CENTCOM, citados pela AP, as despesas com armamento chegaram aos 28,1 mil milhões de dólares, dos quais cerca de 6,4 mil milhões foram acrescentados em pouco mais de um mês. E o problema não está apenas no valor gasto: a guerra está a consumir sistemas particularmente caros e difíceis de substituir, sobretudo intercetores anti-aéreos utilizados para proteger as forças norte-americanas dos ataques iranianos, como os mísseis Patriot e THAAD, provocando uma escassez que responsáveis norte-americanos e da NATO admitiram à AP ter chegado a níveis “muito críticos” – e que impacta não só os EUA como os países que dependem do seu fornecimento, na Europa e no Médio Oriente.

Segundo os analistas ouvidos pela agência, a reposição dos arsenais consumidos exigirá uma despesa adicional que poderá colocar maior pressão ainda sobre uma indústria de defesa com capacidade de produção limitada para alguns destes sistemas.

Há custos que ainda não entram na conta

Como escreve a AP, a estimativa apresentada ao Congresso inclui os custos de operação de navios, aviões e bases, perdas de equipamento e assistência médica aos militares, mas há outros custos ainda por contabilizar, como “os danos causados nas próprias instalações militares norte-americanas no Médio Oriente”.

Um relatório do inspetor-geral do Pentágono, também divulgado nesta semana, identificou centenas de edifícios e outras estruturas danificados ou destruídos por ataques iranianos em bases no Kuwait, Bahrein, Qatar, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Iraque, Omã e Jordânia.

O aumento dos custos é um tema sensível para a administração de Donald Trump, a menos de dois meses de importantes eleições intercalares para o Congresso, que os republicanos querem manter sob controlo nas duas câmaras (a dos Representantes e o Senado). A Casa Branca está a pedir ao Congresso a aprovação de um pacote de mais de 95 mil milhões de dólares para ajudar a financiar a guerra no Irão e pressiona para fazer passar uma proposta histórica de orçamento militar de 1,5 biliões de dólares para 2027.

O secretário da Defesa, Pete Hegseth, defendeu esta sexta-feira a proposta, afirmando que os EUA devem fazer “investimentos geracionais” para reforçar a defesa e a indústria norte-americana.

Washington Post aponta para mais mortes do que as oficiais

Também os custos de vidas humanas entre os militares norte-americanos no conflito começam a ser questionados. O jornal Washington Post noticiou esta semana, citando seis responsáveis norte-americanos familiarizados com os dados internos do Departamento da Defesa, que pelo menos 22 militares dos EUA morreram desde o início do conflito, um número superior ao que consta da base de dados pública do Pentágono.

Dessas mortes, segundo as fontes citadas pelo jornal, nem todas estariam diretamente relacionadas com os combates, mas ocorreram entre militares destacados para o Médio Oriente durante a guerra. Oficialmente, o Pentágono contabiliza 18 militares mortos e mais de 830 feridos, segundo o Defense Casualty Analysis System.

Pete Hegseth rejeitou a informação do Washington Post. Numa publicação na rede social X, classificou-a como “DISGUSTING and FAKE” e uma “complete LIE”, acusando o jornal de estar a divulgar informação falsa.

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