Rússia recorda bombardeamento da NATO em Belgrado

Embaixada da Rússia em Portugal evoca os 23 anos do início do ataque da Aliança Atlântica para realçar que "o Ocidente destruiu, com as próprias mãos, o fundamento da segurança europeia pós-guerra".

A embaixada da Rússia, através de uma publicação no Facebook (rede social neste momento proibida na Rússia), lembra o início da intervenção militar da NATO contra a Jugoslávia, há 23 anos, "empreendida sem qualquer justificação e sem autorização do Conselho de Segurança da ONU".

"Durante 78 dias os aviões dos 13 países da Aliança Atlântica (Alemanha, Bélgica, Canadá, Dinamarca, Espanha, EUA, França, Itália, Noruega, Países Baixos, Portugal, Reino Unido, Turquia) realizaram cerca de 2300 ataques de mísseis e bombas contra 990 alvos no território da Sérvia e Montenegro. Na consequência dos bombardeamentos pelo 'bloco meramente defensivo' morreram cerca de 3 mil sérvios, entre eles mulheres, crianças e idosos. Mais de 12 mil pessoas foram feridas", alega o comunicado.

As autoridades sérvias estimaram o número de mortes entre 1200 e 2000, e a Human Rights Watch em cerca de 500, sendo que a maior parte das vítimas estava no Kosovo.

"O Ocidente destruiu, com as próprias mãos, o fundamento da segurança europeia pós-guerra", prossegue o texto russo. "Nos dias de hoje, quando a Rússia e todo o que é russo enfrenta pressão sem precedentes e torna-se objeto das acusações infundadas sobre 'o desencadeamento de um maior conflito militar na Europa desde a Segunda Guerra Mundial", gostaríamos de aconselhar a todos os malevolentes relembrar a história, os acontecimentos sangrentos de março - junho de 1999 e os dirigentes que estiveram atrás destes", conclui.

A operação militar foi decidida após o fracasso das negociações para terminar o conflito no Kosovo entre os separatistas armados albaneses do Exército de Libertação do Kosovo (UÇK) e as forças sérvias comandadas pelo líder nacionalista Slobodan Milosevic.

A intervenção da Aliança Atlântica, com o objetivo de evitar uma limpeza étnica e crimes de guerra como os sucedidos em Srebrenica ou no cerco a Sarajevo, não teve a aprovação do Conselho de segurança da ONU após veto da Rússia e da China (entre os membros permanentes)

De Portugal, o então autarca de Lisboa João Soares visitou Belgrado em solidariedade para com os habitantes da capital jugoslava.

Em resultado dos bombardeamentos, a Jugoslávia retirou-se do Kosovo, que se tornou num país de facto, apesar de não ser reconhecido por um número suficiente de países. É no Kosovo que os EUA têm a maior base militar fora do país.

Slobodan Milosevic acabou por se demitir em 2000 face a manifestações e no ano seguinte foi preso e levado para Haia, onde o Tribunal Penal Internacional para a Ex-Jugoslávia o acusou de crimes de guerra e contra a humanidade. A sua morte por ataque cardíaco, em 2006, impediu o desfecho do caso.

Face à invasão russa na Ucrânia registaram-se manifestações pró-russas e contra Vladimir Putin na capital da Sérvia.

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