Rússia incapaz de "avanços territoriais significativos nos próximos meses"

O Instituto para os Estudos da Guerra (ISW) informa ainda que a Rússia e a Bielorrússia chegaram a um acordo "urgente" para reparação em unidades bielorrussas de equipamentos de aviação russos danificados, para reutilização na Ucrânia.

O Instituto para os Estudos da Guerra (ISW, na sigla em inglês) norte-americano afirma que as forças invasoras russas na Ucrânia "esgotaram o ímpeto" e deverão ser incapazes de "avanços territoriais significativos nos próximos meses".

No seu mais recente relatório sobre a situação militar no terreno na Ucrânia, a dois dias do Dia da Independência ucraniano e de serem cumpridos seis meses desde o início da invasão russa, o instituto baseado em Washington dá conta de vários ataques das tropas de Moscovo nos últimos dias, mas todos repelidos.

"As operações ofensivas russas no leste da Ucrânia provavelmente esgotaram o ímpeto limitado que ganharam no final de julho e provavelmente estão a culminar", refere o ISW, que recolhe e analisa informação de fontes russas e ucranianas.

"Os militares russos mostraram uma incapacidade contínua de traduzir pequenos ganhos táticos em sucessos operacionais, uma falha que provavelmente impedirá a Rússia de fazer avanços territoriais significativos nos próximos meses, excetuando grandes mudanças no campo de batalha", adianta.

Nos últimos dias, refere, as forças russas tentaram "sem sucesso" vários ataques terrestres a sudoeste e sudeste de Izyum, entre a cidade de Kharkiv e a região do Donbass, e também um ataque terrestre a sudeste de Siversk e nordeste e sul de Bakhmut, na região do Donetsk.

As forças russas "obtiveram ganhos limitados" a oeste da cidade de Donetsk, mas não realizaram nenhum ataque terrestre na fronteira administrativa entre Donetsk e Zaporizjia, segundo o ISW.

Alvo de ataques terrestres russos foram também zonas a sudoeste da cidade de Donetsk e a noroeste e sudoeste de Avdiivka.

Na linha de frente de Kherson-Mykolaiv (sul), as forças russas realizaram vários ataques e "fizeram avanços parciais a leste da cidade de Mykolaiv", adianta a mesma fonte.

No domingo, o Estado Maior ucraniano informou que as suas forças conseguiram repelir os avanços russos na região de Donetsk, no leste do país, em direção às cidades de Slovyansk, Kramatorsk y Avdiivka.

Reclamaram ainda a destruição de um depósito de munições russo durante uma contra-ofensiva.

As forças armadas russas, por sua vez, reivindicaram que destruíram um depósito de munições na região ucraniana de Odessa, onde estavam armazenados lançadores de foguetes HIMARS dos Estados Unidos.

Em vésperas do Dia da Independência da Ucrânia (24 de agosto), segundo o ISW, as autoridades de ocupação russas "intensificaram as medidas de filtragem e sequestros em territórios ocupados".

Citando os serviços de informações militares ucranianos, o ISW informa ainda que a Rússia e a Bielorrússia chegaram a um acordo "urgente" para reparação em unidades bielorrussas de equipamentos de aviação russos danificados, para reutilização na Ucrânia.

"Este acordo pode ser parte de um esforço russo para usar o regime de sanções mais flexível sobre a Bielorrússia para contornar as sanções setoriais contra a Rússia", refere o ISW.

A ofensiva militar lançada a 24 de fevereiro pela Rússia na Ucrânia causou já a fuga de mais de 12 milhões de pessoas de suas casas -- mais de seis milhões de deslocados internos e mais de seis milhões para os países vizinhos -, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

A invasão russa -- justificada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, com a necessidade de "desnazificar" e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia - foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que está a responder com envio de armamento para a Ucrânia e imposição à Rússia de sanções que atingem praticamente todos os setores, da banca à energia e ao desporto.

A ONU confirmou que 5.514 civis morreram e 7.698 ficaram feridos na guerra, sublinhando que os números reais serão muito superiores e só poderão ser conhecidos quando houver acesso a zonas cercadas ou sob intensos combates.

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