Rússia corta gás à Polónia e Bulgária após recusa de pagamentos em rublos

"Estamos prontos para reagir", assegura o governo búlgaro. Já a Polónia fala em "violação contratual" da petrolífera estatal russa Gazprom.

A petrolífera estatal russa Gazprom vai suspender o fornecimento de gás à Bulgária a partir de quarta-feira, no mesmo dia em que o primeiro-ministro búlgaro tem previsto um encontro com o presidente da Ucrânia, em Kiev.

A Bulgária junta-se assim à Polónia, que também anunciou que a Rússia interromperá o fornecimento de gás a partir de quarta-feira, perante a recusa em fazer os pagamentos em rublos, como exige a administração da Gazprom, controlada por Moscovo.

O grupo russo Gazprom vai suspender as entregas de gás na Polónia, através do gasoduto de Yamal, anunciou, em comunicado, a empresa polaca de gás PGNiG.

"Em 26 de abril de 2022, a Gazprom informou a PGNiG da sua intenção de suspender completamente as entregas sob o contrato do [gasoduto] Yamal [...] em 27 de abril", adiantou, em comunicado, a petrolífera polaca, notando que o país está a preparado para obter gás a partir de outras fontes.

Conforme noticiou a agência espanhola EFE, esta decisão prende-se com o facto de a empresa polaca se ter recusado a fazer o pagamento das importações em rublos (moeda da Rússia), exigência que tinha sido imposta por Moscovo.

"É uma violação contratual", diz a Polónia

A PGNiG defendeu que a suspensão do fornecimento de gás é uma "violação contratual", garantindo que vai tomar as medidas necessárias para "restabelecer a entrega de gás natural nas condições definidas".

Segundo o portal de notícias Onet, nos últimos dias, já se verificou uma "redução significativa no fornecimento de gás" por parte da Rússia.

Depois de se saber da interrupção do fornecimento de gás russo à Polónia, ficou a saber-se que a Gazprom decidiu o mesmo em relação à Bulgária.

"A parte búlgara cumpriu plenamente com as suas obrigações e realizou todos os pagamentos requeridos ao abrigo deste acordo, de forma oportuna, rigorosa e em conformidade com as suas cláusulas", reagiu a empresa búlgara ao comunicado em que a Gazprom anunciou o corte do fornecimento de gás a partir de quarta-feira, noticia a agência espanhola de notícias, a Efe, citando os meios de comunicação da Bulgária.

O Governo da Bulgária, cujo presidente tem prevista uma deslocação a Kiev para uma reunião com o seu homólogo ucraniano, garantiu que não há motivo para a população ficar preocupada.

Bulgária diz que "há acordos para entregas alternativas"

"Esse cenário foi discutido em fevereiro e estamos prontos para reagir, há acordos para entregas alternativas, está tudo assegurado", disse um porta-voz governamental à emissora NOVA, citado pela Efe.

A Bulgária, membro da Organização do Tratado Atlântico Norte (OTAN, ou NATO na siga inglesa) e da União Europeia, tem laços estreitos e históricos com a Rússia.

O atual governo, dirigido pelo europeísta Kiril Petkov, não pôde enviar material militar à Ucrânia para apoiar o país no seguimento da invasão pela Rússia porque o Partido Socialista, herdeiro do antigo Partido Comunista e próximo da Rússia, ameaçou abandonar a coligação que sustenta o Executivo no poder se as entregas fossem feitas.

No final de março, o Presidente Russo, Vladimir Putin, tinha afirmado que os clientes estrangeiros da Gazprom, "hostis à Federação Russa", deveriam pagar o gás importado em rublos, mas a maioria dos países da União Europeia, incluindo a Polónia e a Alemanha, não aceitou essa exigência.

Também hoje, antes de ser conhecida a suspensão, a ministra polaca do Clima e do Ambiente, Anna Moskwa, assegurou que a Polónia dispõe das "reservas de gás necessárias" para garantir a segurança de abastecimento do país.

Através de uma publicação na rede social Twitter, Moskwa sublinhou que a Polónia não depende da energia russa há vários anos.

A Rússia lançou, na madrugada de 24 de fevereiro, uma ofensiva militar na Ucrânia que já matou mais de dois mil civis, segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU), que alerta para a probabilidade de o número real ser muito maior.

A guerra causou a fuga de mais de 12 milhões de pessoas, das quais mais de 5,16 milhões para fora do país, ainda de acordo com a organização.

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