Portugal teve prejuízos recentes com as chuvas intensas.
Portugal teve prejuízos recentes com as chuvas intensas.Foto: Reinaldo Rodrigues

Relatório do Conselho Consultivo Científico sugere como UE pode reforçar abordagem à adaptação climática

Conselho Consultivo apela à União Europeia para que reforce urgentemente o seu quadro político para uma "adaptação eficaz e coerente", que deve ser feita "em conjunto" pelos estados-membros.
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Um novo relatório do Conselho Consultivo Científico Europeu sobre as Alterações Climáticas, intitulado "Reforçar a resiliência às alterações climáticas – Recomendações para um quadro político eficaz de adaptação da UE", descreve como a União Europeia (UE) pode reforçar a sua abordagem à adaptação climática, tendo em conta os "riscos crescentes e cada vez mais sistémicos".

O Conselho Consultivo apresentou cinco recomendações fundamentais. A primeira é "estabelecer e harmonizar as avaliações dos riscos climáticos nas políticas da UE e nos Estados-Membros, utilizando cenários climáticos e normas metodológicas comuns".

Outra sugestão passa por "adotar uma referência comum para o planeamento da adaptação, preparando-se para os riscos climáticos de forma consistente com um percurso de aquecimento global de 2,8-3,3 °C até 2100". "Isto traduzir-se-ia em níveis mais elevados na Europa, que atualmente está cerca de 1 °C mais quente do que a média global" e "deve ser complementado pelo uso sistemático de cenários mais adversos para os testes de esforço", explica o órgão consultivo, que insta também a que seja definida "uma visão clara para uma UE resiliente ao clima até 2050 e mais além, apoiada por estratégias sectoriais e metas de adaptação mensuráveis".

O Conselho recomenda igualmente "incorporar a resiliência climática justa e equitativa desde a conceção em todas as políticas, programas e investimentos da UE, sustentada pela monitorização, avaliação e aprendizagem", assim como "mobilizar os investimentos públicos e privados na adaptação e estabelecer uma abordagem mais coerente para gerir os custos crescentes dos impactos climáticos através do orçamento da UE, da governação económica e dos mecanismos de partilha de riscos".

O Conselho Consultivo apela à UE para que reforce urgentemente o seu quadro político para uma "adaptação eficaz e coerente", que deve ser feita "em conjunto" pelos estados-membros, e sublinha que "a adaptação não pode substituir a mitigação".

"Os eventos extremos relacionados com o clima e as condições meteorológicas já estão a causar perdas severas em toda a Europa. O calor extremo, por si só, resultou em dezenas de milhares de mortes prematuras nos últimos anos, incluindo cerca de 24.000 no verão de 2025. Os danos económicos nas infraestruturas e nos ativos físicos ascendem a uma média de 45 mil milhões de euros por ano. Estes impactos crescentes realçam que o reforço da adaptação não é opcional, mas essencial para proteger vidas, meios de subsistência e os alicerces económicos da Europa", comentou o Ottmar Edenhofer, presidente do Conselho Consultivo.

Atualmente, as temperaturas médias globais já subiram cerca de 1,4 °C acima dos níveis pré-industriais, sendo cada vez mais provável que seja ultrapassada a meta de 1,5 °C do Acordo de Paris.

De acordo com um texto publicado no site do Conselho Consultivo, "a Europa está a aquecer cerca de duas vezes mais depressa do que a média global, com o aumento das temperaturas a provocar desastres climáticos mais frequentes e severos – incluindo ondas de calor, secas, incêndios florestais, inundações, subida do nível do mar e erosão costeira – e impactos sentidos em todas as regiões da Europa".

O relatório indica que os esforços de adaptação atuais "continuam a ser insuficientes para prevenir impactos evitáveis ​​e para gerir os riscos climáticos crescentes". "A adaptação vai além da política climática. Uma estrutura de adaptação robusta da UE é fundamental para abordar os riscos sistémicos que ameaçam a segurança dos serviços críticos, alimentos, água e energia, para proporcionar a estabilidade necessária para investir numa economia competitiva e inovadora e para proteger a saúde dos cidadãos e dos ecossistemas da UE", considera Laura Diaz Anadon, vice-presidente do Conselho Consultivo.

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