Aviões Typhoon, da RAF (no solo), e Rafale durante as manobras.
Aviões Typhoon, da RAF (no solo), e Rafale durante as manobras.Ministério da Defesa de França

Reino Unido e França simulam ataque nuclear conjunto pela primeira vez

Caças RAF Typhoon e franceses Rafale realizaram manobras operacionais sobre o Mediterrâneo no exercício "Rummy", reforçando a dissuasão militar europeia numa altura de tensão crescente.
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As forças aéreas do Reino Unido e de França realizaram a sua primeira simulação conjunta de um ataque nuclear. A operação, denominada "Rummy", decorreu na noite da passada terça-feira, 20 de outubro, sobre o Mar Mediterrâneo, tendo sido confirmada publicamente esta sexta-feira (23 de outubro) pelos ministérios da Defesa de Londres e de Paris.

As manobras envolveram caças franceses Dassault Rafale, pertencentes às Forças Aéreas Estratégicas francesas e descolados da Base Aérea 113 de Saint-Dizier, no nordeste de França, e caças britânicos Eurofighter Typhoon da Royal Air Force (RAF), que atuaram em missões de escolta e proteção aérea convencional.

Segundo o Ministério das Forças Armadas de França, o exercício decorreu estritamente com armamento simulado, sem a presença de ogivas nucleares reais, centrando-se no treino dos procedimentos de penetração em espaço aéreo contestado e na interoperabilidade tática entre os dois países.

Esta foi a primeira vez que a componente aerotransportada da dissuasão nuclear francesa integrou meios britânicos de forma direta. O secretário de Estado da Defesa britânico, Wes Streeting, afirmou que a operação representou "um novo capítulo na relação de defesa nuclear entre o Reino Unido e a França", sublinhando que as duas potências partilham a responsabilidade pela estabilidade da região euro-atlântica, num momento de crescente tensão internacional com a Rússia.

A ministra do Exército e dos Combatentes francesa, Catherine Vautrin, reforçou que o estatuto de potência nuclear do seu país "não exclui a colaboração" e que a cooperação bilateral continua a aprofundar-se no seio do pilar europeu da NATO.

Apesar do elevado grau de integração operacional verificado nas manobras, ambos os governos reiteraram que os dois arsenais permanecem sob cadeias de comando nacionais estritamente independentes e soberanas, não existindo partilha dos códigos de lançamento ou da decisão final de disparo.

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