Pouco mais de uma semana depois de ter sucedido a Keir Starmer, Andy Burnham continua na fase de “lua de mel”. A sucessão de anúncios centrados no custo de vida, combinada com um estilo de comunicação mais otimista do que o do antecessor, permitiu ao novo primeiro-ministro britânico recuperar terreno nas sondagens e reduzir as críticas internas no Labour. Mas isso pode mudar já esta quarta-feira (29 de julho), quando tem previsto falar da reforma social, concretamente do apoio a adultos, após ter afirmado à BBC que o Serviço Nacional de Saúde “vai colapsar” se nada for feito.Um inquérito da Survation coloca o Labour nos 26% das intenções de voto, à frente do Reform UK, com 24%, sendo a primeira vez que os trabalhistas lideram esta sondagem desde maio de 2025. Já uma sondagem da YouGov mostra um empate entre os dois partidos, com 22%, mas confirma igualmente a recuperação do Labour e a quebra da formação de Nigel Farage (que procura a reeleição como deputado, em plena polémica com donativos milionários que recebeu). A recuperação do Labour é suficientemente expressiva para que vários jornais britânicos falem de um “Burnham bounce”, usando a expressão para descrever o impulso político gerado pela mudança de liderança trabalhista. O próprio Burnham admitiu estar satisfeito por ter conseguido “ligar-se às pessoas”, mas recusou tirar conclusões a longo prazo com base em pouco mais de uma semana de governação. Esta terça-feira (28 de julho), o primeiro-ministro propôs uma reforma do ensino destinada a colocar a formação técnica no mesmo plano da via académica tradicional, permitindo que, a partir do 10.º ano, os alunos possam combinar as disciplinas clássicas com formação técnica adaptada às necessidades dos mercados locais.“A partir de hoje, o Reino Unido vai valorizar o capacete de construção tanto como o chapéu de formatura”, disse Burnham, lamentando que durante décadas os jovens tenham sido levados a acreditar que tinham de seguir “o percurso académico para terem sucesso e serem respeitados”.Os críticos lembram que não é o primeiro a tentar algo semelhante, questionando se haverá uma mudança estrutural efetiva. Mas o verdadeiro teste à lua de mel poderá chegar esta quarta-feira (29 de julho). Depois de uma semana dedicada a medidas populares e relativamente consensuais (apesar de dúvidas, até no Labour, sobre como as pretende financiar), Burnham deverá apresentar os primeiros detalhes da reforma do sistema de segurança social, uma área onde sucessivos governos falharam. O primeiro-ministro já disse que quer usar o seu “capital político” para enfrentar o problema e defendeu uma abordagem assente em consensos partidários.Mas tanto os conservadores de Kemi Badenoch como o Reform UK de Nigel Farage já avisaram que vão rejeitar qualquer solução que passe pelo aumento dos impostos ou da dívida pública. E, na ala mais à esquerda do Labour, há alertas a Burnham para não repetir as tentativas de cortes em prestações sociais que marcaram o final da liderança de Starmer. Alguns deputados já ameaçam rebelar-se caso a reforma assente em medidas consideradas punitivas para os beneficiários.Uma medida por diaSegunda, 20 de julho: No primeiro discurso como primeiro-ministro, Andy Burnham comprometeu-se a acabar com o problema dos sem-abrigo, reservando 340 milhões de libras (quase 400 mil euros) para apoiar esta medida. Terça, 21 de julho: Burnham anunciou a eliminação, a partir de 1 de outubro, do IVA de 5% sobre as faturas domésticas de eletricidade. A proposta permitirá uma poupança média anual de cerca de 45 libras (53 euros) por agregado familiar. Quarta, 22 de julho: Voltou a estabelecer um teto máximo de duas libras (2,34 euros) para as tarifas de autocarro, revertendo a decisão anterior que tinha elevado esse limite para três libras (3,51 euros).Quinta, 23 de julho: Anunciou benefícios fiscais para pubs, pequenas salas de espetáculo e clubes noturnos, através de um alívio das taxas municipais sobre imóveis comerciais. Sexta, 24 de julho: Oficializou a abertura do “N.º 10 Norte”, um gabinete do primeiro-ministro em Manchester, como parte de uma estratégia de descentralização do poder político e económico. Segunda, 27 de julho: Após uma primeira semana focada no “custo de vida”, a segunda semana começou com um foco internacional, com Burnham a receber o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e a reiterar o apoio do Reino Unido à Ucrânia. Terça, 28 de julho: Burnham propôs mudanças no sistema educativo para dar ao ensino profissional o mesmo estatuto que a via académica tradicional, combatendo a ideia de que a universidade é o único percurso de sucesso. .Burnham foca-se no custo de vida e corta IVA da luz. Mas críticos perguntam: como vai pagar?.Uma guilhotina e os "planos para Nigel": Farage acusa líder dos Verdes de incitar à violência.O ‘conde com cara de caixote do lixo' que desafia Farage e sonha chegar a deputado.Farage demite-se de deputado devido a investigação às suas finanças. Mas será de novo candidato