Israel anunciou esta segunda-feira, 26 de janeiro, ter recuperado os restos mortais do último refém mantido em Gaza, estando assim cumprida uma condição fundamental da primeira fase do plano de paz de Donald Trump para o território palestiniano. Trata-se do polícia Ran Gvili, de 24 anos, mantido em Gaza por 843 dias, e que, segundo a Comunidade Israelita do Porto, seria luso-israelita. Esta é a primeira vez desde 2014 que não existem reféns em Gaza, de acordo com os media israelitas.Gvili foi capturado pelo Hamas quando tentava defender jovens no festival Nova, a 7 de outubro de 2023, durante o ataque liderado pelo grupo palestiniano, tendo os seus restos mortais sido encontrados num cemitério no norte de Gaza. “É comovente que este jovem seja simultaneamente português e bisneto de Eduardo Nada e Esther Nada, ambos com estatuto de ‘espanhóis protegidos’ no Egito na década de 1930”, salientou o presidente da CIP, Gabriel Senderowicz, à Lusa.O gabinete do primeiro-ministro israelita havia dito no domingo que, assim que a busca por Gvili estivesse concluída, iriam reabrir a passagem de Rafah entre Gaza e o Egito, que está praticamente encerrada desde maio de 2024, com exceção de um breve período há cerca de um ano. Enquanto se aguarda que tal aconteça, o Hospital dos Mártires de Al-Aqsa, no centro da Faixa de Gaza, informou ter recebido nove palestinianos detidos e libertados por Israel, trazidos por equipas da Cruz Vermelha pouco depois de ter sido anunciada a recuperação dos restos mortais de Ran Gvili. Segue-se agora a segunda fase do cessar-fogo - cujo início o enviado especial dos EUA já tinha anunciado na semana passada, mesmo sem o corpo de Gvili ter sido encontrado - e que inclui a transição para uma nova estrutura de governação na Faixa de Gaza, a sua reconstrução, e o desarmamento do Hamas. Mas Benjamin Netanyahu já deu esta segunda-feira a entender que esta segunda fase será bem mais difícil de cumprir face aos objetivos de Israel. “A próxima fase é o desarmamento do Hamas e a desmilitarização da Faixa de Gaza. A próxima fase não é a reconstrução”, disse o primeiro-ministro israelita, acrescentando que é do interesse de Israel “avançar nesta fase, e não adiá-la. (...) Acontecerá da forma fácil ou da forma difícil, mas vai acontecer.”Também o tenente-general Eyal Zamir, chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel, deixou ontem claro que “a campanha continua à nossa frente; continuaremos a perseguir os nossos inimigos onde quer que estejam”.O Hamas, por seu turno, afirmou que a recuperação do corpo do sargento Ran Gvili comprova o seu empenho nos termos do cessar-fogo, com o porta-voz do grupo palestiniano, Hazem Qassem, a garantir que continuarão a “cumprir todos os aspetos do acordo, incluindo a facilitação do trabalho do Comité Nacional para a Administração de Gaza e a garantia do seu sucesso. Apelamos aos mediadores e aos Estados Unidos para que obriguem a ‘ocupação’ a cessar as violações do acordo e a cumprir as suas obrigações.”O presidente dos EUA, em declarações ao site Axios, revelou que o Hamas ajudou Israel a localizar o corpo de Ran Gvili, sublinhando que o grupo palestiniano “agora deve desarmar-se”. “Trabalharam arduamente para recuperar o corpo”, afirmou Trump sobre o Hamas, acrescentando que “estavam a trabalhar com Israel nisso” e que as equipas de busca “tiveram de examinar centenas de corpos” na área para encontrar Gvili. O líder norte-americano abordou ainda o ceticismo generalizado de que o Hamas se desarmará pacificamente, lembrando que também havia dúvidas quanto à possibilidade de todos os reféns serem libertados na primeira fase do plano, o que acabou por acontecer. “Ninguém acreditava que conseguiríamos trazer todos os reféns de volta. Foi um grande momento”, sublinhou Trump..Como é o mega-projeto imobiliário de 25 mil milhões para Gaza apresentado pelo genro de Trump em Davos.Conselho de Paz para Gaza ou Nações Unidas de Trump?