A República Democrática do Congo (RDCongo) elevou o número de mortos no surto de ébola para 304, numa altura em que a União Africana (UA) avisou que 95% das camas hospitalares do país estão ocupadas.De acordo com o mais recente balanço, divulgado na quinta-feira à noite pelo Ministério da Comunicação e dos Media congolês, mais de um quarto dos 1155 doentes já confirmados no país morreram.O anterior balanço apontava para 1118 infetados e 291 mortes na RDCongo, que é um dos países mais pobres do mundo. Outros 20 casos e duas mortes foram registados no vizinho Uganda e, na quarta-feira, foi registado o primeiro caso positivo em França.Foi a primeira vez que um caso de ébola é diagnosticado em França, num médico humanitário que regressava de uma missão na RDCongo, país vizinho de Angola.Também na quinta-feira, Jean Kaseya, diretor-geral do Centro Africano de Controlo e Prevenção de Doenças, sob a tutela da UA, alertou que, embora o surto ainda não tenha atingido o pico, 95% das camas hospitalares da RDCongo já estão ocupadas."Precisamos de construir centros de tratamento e aumentar a capacidade hospitalar", enfatizou Kaseya.O surto foi oficialmente declarado a 15 de maio em Ituri, província fronteiriça com o Uganda e o Sudão do Sul e epicentro da epidemia, mas desde então alastrou às províncias congolesas de Kivu do Norte e Kivu do Sul.Muitos especialistas consideram provável que a dimensão da epidemia esteja a ser subestimada, uma vez que esta atinge regiões muito remotas e algumas em conflito..Começam na próxima semana ensaios clínicos de dois potenciais medicamentos.O surto corresponde à estirpe Bundibugyo, cuja taxa de letalidade varia entre os 30% e os 50% e para a qual não existe vacina ou tratamento específico autorizado, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), que considera o risco de propagação do surto como elevado na África Subsariana e baixo à escala global.Kaseya informou que os ensaios clínicos de dois potenciais medicamentos terão início na próxima semana em Bunia, capital da província de Ituri, a mais afetada pelo surto.Trata-se do medicamento experimental contra o ébola, MBP134, e do antiviral remdesivir, este último desenvolvido por fabricantes nos Estados Unidos e no Egito, e cujas reservas já chegaram à RDCongo, segundo Kaseya.O Governo congolês decretou, na quinta-feira, uma quarentena de 21 dias para todos os que pretendam viajar de zonas afetadas pelo ébola para outras partes do país ou para o estrangeiro.De acordo com um comunicado, a medida visa reduzir o risco de infeção e permitir um rastreio completo de contactos para identificar indivíduos potencialmente expostos ao vírus.Esta é já a terceira pior epidemia de ébola da história registada. O pior surto atingiu a África Ocidental entre 2014 e 2016 e fez cerca de 11 mil mortos e 28 mil infetados.O vírus do ébola transmite-se por contacto direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infetados e causa febre hemorrágica grave, vómitos, diarreia e hemorragias internas.O ébola matou mais de 15 mil pessoas em África nos últimos 50 anos..Primeiro caso de ébola detetado em França num médico regressado da República Democrática do Congo.Transmissão da epidemia do vírus Ébola na RD Congo está a acelerar