Depois de entrevistar Ronaldo Caiado e Romeu Zema, dois pré-candidatos a presidente nas eleições do Brasil em outubro, o DN conversa com Carlos Massa Júnior, conhecido na política como Ratinho Júnior por ser filho de Ratinho, popular apresentador de televisão. Governador do Paraná com aprovação local acima de 85%, o político de centro-direita venceria Lula da Silva em eventual segunda volta, dizem as sondagens mais recentes. Para ser candidato, porém, precisa de ganhar as “primárias informais” dentro do próprio partido, o PSD, contra os também presidenciáveis Eduardo Leite e o citado Caiado. “Se for eu o candidato, estou pronto”, assegura. Tem sido falado com insistência como presidenciável e as sondagens colocam-no em posição favorável. Caso se candidate, o que o move? Primeiro é importante dizer que qualquer projeto nacional precisa nascer de uma construção política ampla. Não se trata de uma decisão pessoal mas de um movimento coletivo que envolva pessoas, ideias e valores que representem o que queremos para o futuro do Brasil. O que me move, sinceramente, é a vontade de ver o Brasil voltar à normalidade, pacificar o país e olhar para o que realmente importa - o emprego, os salários, a segurança, a educação dos nossos jovens e a qualidade de vida das famílias. Hoje vivemos um momento de polarização excessiva, em que as paixões políticas ocupam o lugar dos resultados concretos. Eu defendo um Brasil que volte a discutir crescimento, inovação, sustentabilidade. O país precisa de serenidade, de gestores que construam pontes.Está, porém, no mesmo partido de outros presidenciáveis, Eduardo Leite e Ronaldo Caiado. O partido, através do presidente Gilberto Kassab, já disse que terá candidato. Como acha que a escolha deve ser feita?O PSD tem uma característica muito saudável: valoriza o diálogo e as decisões coletivas. O presidente Kassab tem conduzido essa construção com muita habilidade, ouvindo todos os governadores, deputados e lideranças regionais. Não há vaidade nisso. Eu, o Eduardo Leite e o Ronaldo Caiado fazemos parte de um mesmo projeto - apresentar ao Brasil uma alternativa equilibrada, moderna e responsável. A escolha passará, naturalmente, por uma avaliação do momento, das sondagens mas também por uma construção interna, por quem melhor representar esse modelo de país. Se eu for o escolhido, estarei pronto. Se não for, estarei junto, ajudando a construir esse caminho. Importante é o projeto, não o protagonista.Uma eventual candidatura sua seria equidistante das de Lula e do senador Flávio Bolsonaro ou sente mais afinidade com algum deles?Estamos falando de um novo projeto para um novo país. Os resultados económicos, educacionais e de segurança pública dos estados que governamos provam isso..Quem é Ronaldo Caiado, o último candidato a herdeiro de Bolsonaro.É filho de uma figura pública muito popular. Isso favorece-o ou prejudica-o?A imagem pública é muito sazonal. No meu caso, o meu pai sempre foi uma pessoa muito conhecida, querida por grande parte dos brasileiros, e isso é algo que eu respeito e me orgulha. Eu admiro-o imensamente e tento guiar-me pelos seus ensinamentos. Mas penso que a minha trajetória política tem a minha marca, a vontade de ajudar as pessoas e melhorar o Paraná e o Brasil. Essas portas que estão se abrindo são resultado do trabalho que desenvolvi com uma equipa muito competente ao lado.Como classifica o governo de Lula?O Brasil tem acompanhado há quase duas décadas os mesmos discursos. Estamos desperdiçando o nosso potencial. Países do nosso patamar crescem de maneira mais rápida e organizada. Precisamos acertar a questão dos juros, estabilizar as finanças da máquina pública e promover uma reforma administrativa ampla. O país tem uma máquina muito inchada, cara e em alguns setores muito ineficiente. Há muita margem para crescer se trabalharmos de maneira organizada com o setor produtivo.Tem forte aprovação no Paraná mas num país continental isso pode não chegar. Tenciona viajar pelo país?Hoje em dia, com as redes sociais, essa comunicação ficou muito mais direta. Tenho apresentado os resultados do Paraná pelo Brasil e fora dele. E as pessoas já começam a entender que o estado tem a melhor educação do Brasil, os menores indicadores de criminalidade da história e o maior programa de investimentos em infraestrutura do país. Isso tem gerado resultados. Nos últimos anos reunimos mais de 300 mil milhões de reais em investimentos privados, atraímos mais de um milhão de turistas estrangeiros em 2025, assinámos acordos como o voo Curitiba-Lisboa com a TAP e passamos a figurar no topo dos rankings de competitividade e inovação. Com a polarização, o país tem discutido de maneira muito rasa projetos dessa envergadura.Como um presidente pode seduzir os brasileiros em Portugal a voltar com confiança?Essas migrações acontecem em todo o mundo. Estou apresentando um novo projeto, no qual os estados precisam de autonomia, ter mais recursos e mais liberdade económica. E precisamos de uma defesa mais verdadeira da propriedade privada e da família como alicerces para a busca pela paz. Eu quero que os brasileiros sintam orgulho do país e vivam em paz com as suas famílias.Romeu Zema: “O Governo Lula usa a estrutura de poder para perseguir inimigos”