Rasto de morte e destruição após enxurrada no Nepal e Tibete
Um deslizamento de terras ou uma avalanche, que libertou energia suficiente para ser confundido com um sismo de magnitude 5,2, terá estado na origem da enxurrada que deixou um rasto de morte e destruição no Nepal e no Tibete. Pelo menos 160 pessoas morreram e mais de mil estavam desaparecidas - incluindo muitos turistas estrangeiros, entre os quais dois portugueses.
A enxurrada de água e lama desta quarta-feira (26 de agosto) destruiu várias localidades nas margens dos rios Bhotekoshi, Trishuli e Narayani, nos vales da região dos Himalaias na fronteira entre os dois países. Uma das hipóteses em cima da mesa é que o deslizamento de terras ou gelo possa ter causado a rutura de um lago glacial, temendo-se que possa haver ainda bloqueios nos rios e que haja novos incidentes.
O número de vítimas e desaparecidos é ainda incerto. As autoridades nepalesas já encontraram 157 corpos, com a China a registar oficialmente três mortos.
Contudo, o Turismo do Nepal contabilizou o desaparecimento de pelo menos 484 pessoas, incluindo 391 turistas estrangeiros e 93 nepaleses. Também estavam desaparecidos 44 membros do Exército, 28 polícias, 13 efetivos da polícia militar e 60 trabalhadores de distintos projetos hidroelétricos.
Entre os estrangeiros desaparecidos, além de uma mulher e de um homem de nacionalidade portuguesa, havia 133 indianos, 47 norte-americanos, 34 australianos, 33 britânicos, 24 canadianos, 19 malaios, sete ucranianos, seis singapurenses, seis sul-africanos, cinco japoneses, cinco neozelandeses, quatro alemães, três franceses, dois irlandeses, dois neerlandeses e dois russos. Na China, havia registo de pelo menos 265 desaparecidos, segundo números oficiais citados pela agência Xinhua.
As operações de busca e salvamento estavam em curso, com o primeiro-ministro nepalês, Balendra Shah, a apelar à união. “A dor e a perda que sofreram não são pequenas. Mas quero assegurar-vos que não estão sozinhos neste momento difícil - o Estado está convosco com todos os seus meios e recursos”, indicou.
“Por favor, tenham paciência. O governo assume total responsabilidade pelo vosso resgate, tratamento, alimentação e abrigo. Em momentos de desastre como este, precisamos de estar unidos”, acrescentou.
O governo nepalês disse que iria também coordenar as operações com a vizinha China, que controla o Tibete.
O presidente chinês, Xi Jinping, apelou a um esforço “total” nas operações de socorro, prometendo sistemas de monitorização e alerta precoce mais robustos.
“A tarefa mais urgente é fazer todo o possível para procurar e resgatar os desaparecidos, tratar rapidamente os feridos e minimizar as vítimas ao máximo possível”, afirmou, segundo a Xinhua.
A ajuda chega também de fora. O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, afirmou que o seu governo estava “preparado para prestar ao Nepal todos os tipos possíveis de assistência humanitária”.
Já a União Europeia ativou o sistema de satélites Copernicus para mapear as áreas afetadas, com a presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, a dizer que o bloco está “pronto para mobilizar mais assistência”.

