O líder da oposição sul-coreana, Lee Jae-myung, foi esfaqueado ontem no pescoço durante um evento em Busan, no sudeste do país. O atacante, que se aproximou do político de 59 anos fingindo querer o seu autógrafo, foi detido, não se conhecendo ainda os motivos para o ataque. Lee foi operado em Seul e encontra-se bem, segundo o Partido Democrático, que denunciou um “ato de terrorismo político” e um ataque à democracia..“Este tipo de violência nunca deve ser tolerado sob quaisquer circunstância”, reagiu o presidente Yoon Suk Yeol, citado pela porta-voz, Kim Soo-kyung. O chefe de Estado expressou ainda a sua preocupação com o estado de saúde do líder da oposição e deu ordens às autoridades policiais para investigarem o caso..Lee perdeu as presidenciais de 2022 para o conservador Yoon por menos de 250 mil votos - a margem mais pequena de sempre - esperando-se que volte a tentar chegar ao poder em 2027. Isto apesar de estar a ser julgado por permitir que empresas privadas lucrem ilegalmente com um projeto imobiliário quando era autarca de Seongnam. Está também a ser investigado o seu tempo enquanto governador da província de Gyeongii, a mais populosa do país. O político nega as acusações..O ataque ocorre a poucos meses das parlamentares, previstas para abril. Ainda antes do incidente, a presença de Lee no boletim de voto - atualmente é deputado por um distrito de Incheon Gyeyang - era questionada, diante das pressões internas para que se demita devido aos escândalos em que está envolvido. O antigo advogado, que cresceu na pobreza, trabalhou ainda criança em várias fábricas, tendo tido vários acidentes laborais e ficado com uma incapacidade (razão pela qual não fez o serviço militar obrigatório)..Motivos por apurar.Segundo a agência de notícias sul-coreana Yonhap, as motivações por detrás do ataque continuam por apurar. O suspeito, que a polícia disse ter nascido em 1957, foi detido - e confessou que queria matar o político. Já teria tentado aproximar-se do líder da oposição noutro evento, há cerca um mês, também em Busan. Um vídeo, partilhado no YouTube, mostra o homem com a mesma coroa de papel a dizer “Eu sou Lee Jae-myung”, que usou no ataque de ontem, à espera no meio da multidão, não tendo conseguido na altura aproximar-se do político..Desta vez, alegando querer um autógrafo, o suspeito que se desconhece se está ligado a algum partido conseguiu aproximar-se do líder da oposição, depois de este visitar as obras de construção do novo aeroporto da cidade portuária, na ilha Gadeok. O indivíduo, de apelido Kim, usou no ataque uma faca com 18 centímetros de comprimento que terá comprado online, causando uma laceração de um centímetro no lado esquerdo do pescoço de Lee..Levado de imediato para o hospital universitário local, onde foi submetido ao primeiro tratamento de emergência, o líder da oposição foi depois transportado de helicóptero para o Hospital Universitário Nacional de Seul, onde foi operado. “Demorou mais do que o esperado e estamos a acompanhar de perto o seu progresso”, disse o Partido Democrático após a cirurgia, condenando “o ato de terrorismo político” contra o seu líder e apelando a uma investigação. O porta-voz do partido, Kwon Chil-seung, denunciou uma “ameaça à democracia”..O atacante foi detido de imediato, com as autoridades a dizer que o vão acusar de tentativa de homicídio. Contudo, os seus motivos continuam a ser desconhecidos. De acordo com a Yonhap, o chefe da polícia da Coreia do Sul anunciou a criação de uma unidade especial para investigar o caso em Busan. “A proteção de segurança para pessoal chave será reforçada para prevenir incidentes semelhantes de ocorrer”, disse num comunicado o comissário Yoon Hee-keun. .Outros casos.Park Geun-hye.A 20 de maio de 2006, a líder do conservador Grande Partido Nacional foi ferida no rosto com um X-Ato, quando se preparava para subir para o palco num evento de campanha em Seul. O atacante foi um homem de 50 anos já com antecedentes criminais de violência. Park Geun-hye, que acabaria por ser presidente entre 2013 até ser destituída por corrupção em 2017, teve que levar 60 pontos. Esteve presa até ser perdoada em 2022. .Mark Lippert.A 5 de março de 2015, o então embaixador dos EUA na Coreia do Sul sobreviveu a um ataque com uma faca, num evento no Centro Sejong, em Seul. Foram precisos 80 pontos para suturar a ferida no braço esquerdo e no rosto de Mark Lippert, que esteve no cargo entre 2014 e 2017. O atacante, Kim Ki-jong, de 55 anos, que tinha feito várias visitas à Coreia do Norte e já tinha agredido anos antes o embaixador do Japão, gritou “não aos exercícios de guerra”. Foi condenado a 12 anos de prisão.