O governo militar de Myanmar (antiga Birmânia) revelou esta segunda-feira (3 de agosto) fotografias da Prémio Nobel da Paz de 1991, Aung San Suu Kyi, detida desde o golpe de fevereiro de 2021 que pôs fim ao governo democrático no país. Suu Kyi, que desempenhava oficialmente o cargo de conselheira de Estado mas era considerada a líder de facto birmanesa, surge nas fotografias com o líder do Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV) no país, Arnaud de Baecque.A publicação do governo militar situa a imagem em Naypyidaw, capital de Myanmar desde 2005, sem mais detalhes, dizendo que o encontro foi esta segunda-feira (3 de agosto). Em duas das fotos surge um bolo com a data 29 de junho e uma mensagem de parabéns, apesar de Aung San Suu Kyi ter feito 81 anos a 19 de junho. Nessas fotografias têm uma roupa diferente da que usa no encontro. .Num comunicado, o CICV confirmou que a visita foi esta segunda-feira (3 de agosto). "A visita foi realizada de acordo com as normas e procedimentos do CICV para visitas a pessoas privadas de liberdade. Isto incluiu a oportunidade de conversar com Aung San Suu Kyi em privado", indicou a organização, acrescentando que "as observações e recomendações relativas à visita são partilhadas de forma exclusiva e confidencial com as autoridades responsáveis pela detenção".As imagens foram divulgadas no meio de dúvidas sobre a saúde e o paradeiro de Suu Kyi, bem como pedidos de prova de vida por parte dos seus apoiantes e governos asiáticos, numa altura em que Myanmar quer voltar a entrar na ASEAN (Associação de Nações do Sudeste Asiático).Kim Aris, o filho mais novo de Suu Kyi, disse à rádio pública norte-americana NPR que as fotografias lhe deram "uma razão para ter esperança" pela primeira vez desde o golpe militar que a depôs em 2021.Desde o golpe, que desencadeou uma guerra civil que matou cerca de 100 mil pessoas e desalojou milhões, que nenhum líder ou enviado estrangeiro se tinha encontrado publicamente com Aung San Suu Kyi.A Nobel da Paz de 1991 foi inicialmente condenada a 33 anos de prisão no final de 2022 por vários crimes, incluindo incitação à sedição e corrupção, que os seus apoiantes e grupos de defesa dos direitos humanos descreveram como tentativas de a desacreditar e legitimar a tomada do poder pelos militares, que a destituíram do cargo e a impediram de regressar à política.No final de abril, após uma eleição orquestrada pelos militares que instalou o chefe da junta militar, Min Aung Hlaing, como presidente, as autoridades disseram que Suu Kyi tinha recebido uma amnistia e sido transferida para prisão domiciliária. Na altura revelaram outra foto, mas não havia forma de provar que era verdadeira..A amnistia reduziria a sua pena para 18 anos, faltando cumprir mais de 13 anos.Suu Kyi, filha do general Aung San que negociou a independência da Birmânia do Reino Unido e foi assassinado quando ela tinha apenas dois anos, passou quase 15 anos em prisão domiciliária entre 1989 e 2010. A sua firme postura contra o regime militar em Myanmar transformou-a num símbolo da luta não violenta pela democracia.Líder da Liga Nacional para a Democracia, tornou-se deputada nas eleições de 2012, tendo o partido vencido uma supermaioria no escrutínio de 2015. Proibida de assumir a presidência por causa de uma cláusula da Constituição (que proíbe esse cargo a cidadãos casados com estrangeiros, sendo que o falecido marido de Suu Kyi era britânico), assumiu então o cargo de conselheira de Estado (uma espécie de primeira-ministra).O partido voltou a ganhar as eleições de 2020, mas o golpe de Estado de fevereiro de 2021 pôs fim ao governo democrático. .P&R: Junta militar birmanesa à procura de legitimidade numas eleições de “farsa”.Filho de Aung San Suu Kyi diz que mãe está incomunicável há um ano