Protestos anti-Governo na Albânia deixam 71 polícias feridos e 71 detidos
EPA/MALTON DIBRA

Protestos anti-Governo na Albânia deixam 71 polícias feridos e 71 detidos

Diretor-geral da polícia disse que muito poucos dos detidos eram estudantes, apesar de as mobilizações serem lideradas por estudantes universitários que exigem a demissão do primeiro-ministro.
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Os três dias de protestos violentos contra o Governo albanês deixaram 71 polícias feridos, incluindo um em estado crítico, e pelo menos 71 manifestantes detidos, anunciou a polícia do país balcânico.

O diretor-geral da polícia, Skënder Hita, reportou, em declarações à imprensa, o número de agentes feridos, enquanto a polícia deu conta, através do seu site, das 71 detenções e medidas criminais contra outras 147 pessoas, sem ainda especificar os números correspondentes aos distúrbios desta quinta-feira, 15 de outubro.

Hita disse que muito poucos dos detidos eram estudantes, apesar de as mobilizações serem lideradas por estudantes universitários que exigem a demissão do primeiro-ministro, o socialista Edi Rama.

"Nenhum dos detidos na primeira noite revelou ser estudante, enquanto entre os detidos na segunda noite verificou-se que muito poucos eram", disse Hita, segundo a televisão A2 CNN.

Este perfil dos detidos contrasta com o facto de a maioria dos manifestantes serem adolescentes, muitos deles em idade escolar, como a agência de notícias espanhola EFE verificou no terreno.

Alguns transeuntes chegaram mesmo a repreender os agentes por deterem menores, por exemplo, após confrontos na Praça Skanderbeg, onde agentes lançaram gás lacrimogéneo esporadicamente e manifestantes atiraram pedras da calçada.

O Ministério da Saúde indicou que 14 feridos foram transferidos para o Hospital Universitário de Traumatologia: oito polícias, quatro manifestantes e outros dois menores.

Estes são os únicos dados sobre manifestantes feridos até agora.

Na cidade de Shkodër, no norte, o comandante da polícia, Fasil Rama, encontra-se em estado crítico depois de uma pedra lançada por manifestantes reunidos à porta da esquadra o ter atingido na cabeça.

Em Tirana, os confrontos prosseguiram pelo terceiro dia consecutivo, com manifestantes a atirar pedras a polícias, a erguer barricadas com mobiliário urbano e a incendiar contentores, bem como a destruir dependências bancárias e outras lojas.

Por todo o centro da cidade, manifestantes vandalizaram agências bancárias, lojas de telemóveis, restaurantes de ‘fast-food’, semáforos e paragens de autocarro.

A polícia impediu uma multidão, muitos deles jovens e com o rosto coberto, de se aproximar do Ministério da Educação e do parlamento.

Os protestos, que se estendem a outras cidades, reúnem milhares de pessoas que exigem a demissão de Edi Rama e mais apoio aos estudantes universitários, que denunciam as más condições dos seus centros e as elevadas propinas académicas.

O primeiro-ministro culpou a oposição conservadora pela violência e divulgou esta quinta-feira um vídeo em que visitava a sede incendiada do Colégio da Europa em Tirana, após ataques a vários edifícios na quarta-feira.

"Todos devem responder perante a lei, e quem fez parte deste caos pagará por isso", avisou Rama.

O Presidente albanês, Bajram Begaj, pediu contenção e apelou para que as tensões não pusessem em risco a estabilidade do país.

"No exercício das responsabilidades e poderes que me são conferidos pela Constituição, estou à disposição de todos aqueles que procuram um espaço para diálogo e compreensão", disse, num vídeo publicado no seu perfil na rede social Facebook.

A escalada surge após meses de mobilizações antigovernamentais quase sempre pacíficas contra um controverso projeto turístico ligado à família do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

O que inicialmente era uma campanha ambiental tornou-se um movimento contra a alegada corrupção do Governo de Rama e da oposição conservadora, que os manifestantes também consideram parte de um sistema que beneficia uma oligarquia e não os cidadãos.

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