É no Instituto para a Paz dos EUA, em Washington, recém renomeado Instituto Donald J. Trump para a Paz, que esta quinta-feira vai decorrer a primeira reunião do Conselho da Paz criado pelo presidente norte-americano. Em cima da mesa estará o futuro da Faixa de Gaza, que deverá incluir o anúncio de cinco mil milhões de dólares de fundos para a reconstrução e se espera trazer mais luz sobre a força de estabilização internacional que deverá garantir a segurança no território palestiniano. Isto de acordo com o plano em 20 pontos apresentado por Trump para pôr fim à guerra lançada por Israel após o ataque terrorista do Hamas (a 7 de outubro de 2023, que fez 1200 mortos e 250 reféns). Foram 50 os países convidados a juntar-se ao Conselho da Paz, mas vão ser as ausências a marcar este primeiro encontro. A começar por Benjamin Netanyahu. O primeiro-ministro foi a Washington no passado dia 12 para assinar a adesão de Israel ao Board of Peace - e pressionar Trump em relação às negociações com o Irão -, antecipando uma viagem que só devia acontecer esta semana. Na altura, o gabinete de Netanyahu informou que este não tencionava voltar esta quinta-feira aos EUA para participar na primeira reunião do organismo que Trump criou, que lidera e que garante irá competir com as Nações Unidas. Segundo o Times of Israel, a decisão de Netanyahu pretende evitar sujeitá-lo às potenciais críticas internacionais em relação à operação militar em Gaza que, segundo os números das autoridades locais controladas pelo Hamas, que governa o território desde 2007, terá feito mais de 72 mil mortos. O primeiro-ministro israelita também não terá grande interesse em dividir o palco com os líderes de países rivais como o Qatar ou a Turquia. Mas se Israel não vai estar representado ao mais alto nível (será o ministro dos Negócios Estrangeiros, Gideon Saar a ir a Washington), mas aderiu ao Conselho da Paz, a Autoridade Palestiniana parece ter sido esquecida por Trump, levando vários líderes a questionar o equilíbrio de um órgão em que um dos lados do conflito que vai estar em discussão não está sequer representado. Foi o caso do México, cuja presidente, Claudia Sheinbaum, recusou o convite apontando esta “omissão”.Desconfiados de uma iniciativa que conta com Trump como único presidente e cujas nomeações para a “administração” passam todas pelo presidente dos EUA, por tempo indefinido, os europeus mostraram-se maioritariamente céticos em relação ao Conselho da Paz. A própria União Europeia, que recusou o convite para aderir, mas decidiu participar como observadora na reunião de Washington, não enviou o líder de nenhuma das suas instituições. Em vez de Ursula von der Leyen, a presidente da Comissão Europeia, ou António Costa, o presidente do Conselho Europeu, a União Europeia far-se-à representar pela comissária para o Mediterrâneo, a croata Dubravka Suica. As principais potências da UE também rejeitaram o convite enviado. França, Alemanha e Espanha preferiram manter-se à margem. O presidente francês, Emmanuel Macron, disse-se preocupado porque a carta fundadora do Conselho “vai além do quadro de Gaza e levanta questões sérias, em particular no que diz respeito aos princípios e à estrutura das Nações Unidas, que não podem ser postas em causa.” Já o Reino Unido, fora da UE desde o Brexit, também deixou para trás a “relação especial” e rejeitou o convite, alegando preocupação com o papel da Rússia no Conselho da Paz. Mas nem o presidente russo, Vladimir Putin, nem o seu aliado bielorrusso, Alexander Lukashenko, vão estar presentes em Washington. Os dois alegaram problemas de agenda, com a porta-voz de Lukashenko a alegar “potenciais dificuldades logísticas que podem surgir devido a sanções ilegais, principalmente da UE”.Ainda na UE, se Itália, Chipre, Grécia e Roménia anunciaram que irão enviar representantes como observadores (no caso romeno, o próprio presidente Nicusor Dan), dois países aderiram mesmo ao Conselho da Paz: Hungria e Bulgária. O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, estará em Washington na semana em que recebeu o apoio do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, em Budapeste, um dia depois do lançamento da campanha para as legislativas do próximo dia 12 de abril, nas quais o opositor Peter Magyar é o favorito das sondagens. Quem vai estar em força em Washington são algumas das potências do Médio Oriente. Velhos aliados dos EUA como os Emirados Árabes Unidos, Marrocos e Bahrein foram dos primeiros países a aceitar o convite para o Conselho da Paz, depressa se lhes juntaram a Arábia Saudita, a Turquia, a Jordânia, o Qatar e o Kuwait, com o objetivo de apoiar o “direito à autodeterminação e à condição de Estado da Palestina, de acordo com o direito internacional”. Da Ásia Central, os presidentes Kassym-Jomart Tokayev e Shavkat Mirziyoyev, do Cazaquistão e do Usbequistão respetivamente, estarão presentes. Indonésia e Vietname também aderiram, bem como o Paquistão. A carta de criação do Conselho da Paz foi assinada a 22 de janeiro em Davos, na Suíça. Nessa altura, Trump reafirmou que vai começar por se focar em Gaza, mas depois terá uma atuação global. Nesse mesmo dia, Jared Kushner, o genro de Trump e um dos membros da administração do chamado Board of Peace, apresentou uma proposta de reconstrução para Gaza na qual não faltavam arranha-céus à beira-mar, praias dignas de um resort, e um novo porto e aeroporto. Além de Kushner, a direção do Conselho de Paz conta com, entre outros, Rubio e o enviado especial de Trump para o Médio Oriente, Steve Witkoff.CONSELHA DA PAZPaíses signatários:Arábia SauditaArgentinaArméniaAzerbaijãoBahreinBulgáriaCazaquistãoEmirados Árabes UnidosEUAHungriaIndonésiaJordâniaKosovoKuwaitMongóliaMarrocosPaquistãoParaguaiQatarTurquiaUsbequistão Assinaram mais tarde:El SalvadorIsrael Observadores:ChipreGréciaItáliaMéxicoRepública ChecaRoméniaUnião Europeia .Trump anuncia 5.000 milhões de dólares do Conselho de Paz para Gaza e pede desmilitarização do Hamas