O presidente iraniano revelou aos seus compatriotas que não é uma tarefa simples chegar ao guia supremo. "A comunicação com ele está muito difícil neste momento", disse Masoud Pezeshkian em entrevista televisiva a propósito dos seus dois anos na presidência. "Mas a sua presença é de qualquer forma um trunfo importante para nós, permitindo-nos continuar", acrescentou. No entanto, não pormenorizou em que medida a comunicação tem sido dificultada, se por motivos de saúde de Mojtaba Khamenei, se por questões de segurança.Segundo a república islâmica, o filho de Ali Khamenei sobreviveu ao bombardeamento de 28 de fevereiro que matou o ayatollah e vários outros membros da família. Em estado grave, Mojtaba foi escolhido como sucessor do pai. Mas, até ao momento, as únicas "provas de vida" são comunicados a si atribuídos. A sua ausência durante as cerimónias fúnebres de Ali Khamenei suscitou nova vaga de interrogações. Em abril, uma reportagem do New York Times revelava que Mojtaba Khamenei aguardava por uma prótese depois de ter sido operado três vezes a uma perna e uma vez a uma mão, e que a sua cara tinha ficado queimada ao ponto de falar com dificuldade. Também dizia que o novo guia supremo era mantido num esconderijo. Neste recebia poucas visitas para a localização não ser exposta, comunicando com o exterior através de cartas.Ao falar sobre o memorando de entendimento com os EUA, Pezeshkian disse que o novo líder inicialmente se tinha oposto ao cessar-fogo, mas acabou por permiti-lo depois de ter recebido o apoio de 12 dos 13 membros do conselho de segurança nacional. Pezeshkian aproveitou para acusar alguns grupos de usarem a questão para aprofundar divisões internas.Não é segredo que Pezeshkian, considerado da ala moderada, não está alinhado com a ala religiosa fundamentalista nem com os Guardas da Revolução, vistos como o verdadeiro poder no Irão. Diz-se que, no final de maio, o presidente apresentou a demissão ao guia supremo, tendo alegado que os Guardas da Revolução tinham tomado conta de todos os níveis do poder e que ele, Pezeshkian, havia sido posto de lado. A demissão terá sido recusada. Agora, disse o clérigo Mohammad-Bagher Kharrazi, cuja irmã é casada com um irmão de Khamenei, se Pezeshkian voltar a demitir-se, o guia supremo irá aceitar. O diretor-adjunto de comunicações do gabinete de Pezeshkian desmentiu as alegações de Kharrazi, atribuindo-as a uma "aliança sinistra de agitadores enganadores e defensores do extremismo e da incompetência" que foi derrotada nas urnas há dois anos. .EUA dizem que Mojtaba Khamenei está vivo e a "envolver-se cada vez mais" nas negociações.Setad, a herança bilionária de Mojtaba Khamenei