A Polónia está ao lado do presidente eleito dos Estados Unidos, que defendeu recentemente que a o gasto em defesa dos Estados-membros da NATO deveria ser de 5% dos respetivos produtos internos brutos (PIB), mais do dobro dos atuais 2%.A revelação foi feita pelo ministro da Defesa polaco, Wladyslaw Kosiniak-Kamysz, que, numa entrevista publicada este domingo no Financial Times, afirmou que Varsóvia “pode ser o elo transatlântico entre este desafio lançado pelo presidente Trump e a sua implementação na Europa”.Kosiniak-Kamysz referiu ainda na mesma entrevista que este objetivo dos 5% é “um importante alerta” para a NATO, mas alertou que alcançar a meta defendida por Trump, que toma posse no dia 20, “levará mais uma década”. “Mas penso que ele não deve ser criticado por estabelecer uma meta realmente ambiciosa porque, caso contrário, alguns países continuarão a debater se são realmente necessários mais gastos”, prosseguiu o titular polaco da pasta da Defesa.Olhando para os valores relativos a 2024, a Polónia é o país da NATO que mais se aproxima deste valor apresentado por Donald Trump - 4,12% do seu PIB foi para a Defesa. Seguiu-se a Estónia, com 3,43%, e os Estados Unidos, com 3,38%, sendo que apenas 23 dos 32 países da Aliança cumpriram em 2024 a meta dos 2% do PIB gastos em Defesa. Já o comissário europeu para a Defesa, Andrius Kubilius, apelou no sábado à noite aos Estados-membros da União Europeia, especialmente aos “mais distantes de Moscovo” geograficamente, o que inclui Portugal, para aumentarem as despesas e reforçar a Defesa do bloco. “Aqueles que estão mais distantes de Moscovo devem mostrar todo o seu potencial. É disso que se trata a solidariedade da UE. Só juntos podemos alcançar um big bang / ligar o turbo da nossa defesa! Solidariedade!”, escreveu o lituano no X.Esta mensagem de Kubilius estava acompanhada de um gráfico que mostra a posição dos 27 Estados-membros com base na distância em quilómetros da Rússia e na parte do PIB que gastam em defesa, com a Irlanda (0,2%), Espanha (1,28%) e Portugal (1,55%) no fundo da escala.Em dezembro, numa conferência do Carnegie Europe, Kubilius disse que cada ponto adicional do PIB representa mais 200 mil milhões de euros para os países da UE, 23 dos quais são membros da Aliança. No mesmo evento, o secretário-geral da NATO, Mark Rutte, apelou aos aliados para que aumentem os gastos militares e mudem para uma “mentalidade de guerra”, para evitar no seu território um conflito como o da Ucrânia devido à invasão russa. “É altura de mudar para uma mentalidade de guerra. E reforçar rapidamente a nossa produção de Defesa e o gasto na Defesa”, advertiu Rutte.