Mortos pela tempestade em Petrópolis sobe para 78

Em menos de seis horas, algumas partes da cidade do estado do Rio de Janeiro receberam até 260 milímetros de água, mais do que o esperado para todo o mês. Equipas de busca e salvamento tentam resgatar vítimas.

As autoridades de Petrópolis, localizada na região serrana do estado brasileiro do Rio de Janeiro, elevou esta quarta-feira ao início da noite (hora de Lisboa) para 78 o número de mortos na sequência das fortes chuvas que atingiram a cidade e decretou o estado de calamidade.

Petrópolis, a cerca de 70 quilómetros da cidade do Rio de Janeiro, acumulou 259 milímetros de chuva em seis horas, na tarde e noite de terça-feira, de acordo com fontes da defesa civil, prevendo-se para esta quarta-feira mais precipitação, embora moderada.

Os media locais estimam que mais vítimas deve ser localizadas ao longo do dia já que o trabalho das equipas de resgate nas áreas atingidas continua.

Além disso, ao menos 21 pessoas foram resgatadas com vida.

De acordo com fontes oficiais, ocorreram pelo menos 189 deslizamentos de terras e 45 desabamentos ou quedas de muros e árvores no distrito de Petrópolis.

Vídeos que circulam nas redes sociais mostram carros a serem arrastados pela correnteza e grandes deslizamentos numa área da cidade chamada Morro da Oficina.

O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, descreveu aos jornalistas a situação, referindo-se a um cenário "quase como uma guerra". "Temos visto veículos derrubados, muita lama e ainda muita água", acrescentou.

Castro salientou que a tragédia ocorreu "de um dia para o outro" e indicou que, em apenas duas horas, a queda de água atingiu os 200 milímetros.

Os 259 milímetros acumulados em seis horas em Petrópolis foram ainda mais do que a previsão para todo o mês de fevereiro, que foi de 238 milímetros. "É uma quantia absurda e infelizmente não pudemos salvar todas as pessoas", lamentou o governador.

A tragédia também gerou manifestações do presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, que está em visita oficial à Rússia.

"De Moscovo tomei conhecimento sobre a tragédia que se abateu em Petrópolis/RJ. Fiz várias ligações para os Ministros @rogeriosmarinho [Rogério Marinho] e Paulo Guedes para auxílio imediato às vítimas, bem como conversei com o @DefesaGovBr, General Braga Neto, que me acompanha na Rússia", escreveu Bolsonaro.

"Retorno na próxima sexta-feira e, mesmo distante, continuamos empenhados em ajudar ao próximo. Deus conforte aos familiares das vítimas", acrescentou.

Esta não é a primeira vez que a região montanhosa do Rio de Janeiro foi atingida por fortes tempestades. Em 2011 ocorreu a maior tragédia meteorológica alguma vez registada no Brasil, quando as tempestades provocaram mais de 900 mortos e uma centena de desaparecidos na região.

"A situação é uma tragédia. Os bombeiros estão a ter dificuldade em aceder aos locais mais críticos porque há muitos carros e autocarros abandonados nas ruas. Há vários pontos de deslizamento de terras", disse o secretário regional da Defesa Civil, Leandro Monteiro, aos media locais.

"Lamentamos a perda de vidas em Petrópolis (...) faremos todos os esforços para salvar as vítimas", escreveu na rede social Twitter o ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, na terça-feira à noite.

Durante o dia de terça-feira já circulavam imagens nas redes sociais e nos meios de comunicação social, mostrando casas destruídas por deslizamentos de terras nas colinas, assim como carros levados pela corrente.

Muitas empresas foram completamente inundadas pela água que correu pelas ruas do centro histórico da cidade, como se vê em vídeos publicados em redes sociais.

Petrópolis, a residência de verão da antiga corte imperial, é um destino turístico que atrai um grande número de visitantes que procuram a oferta histórica, passeios na natureza e um clima mais temperado do que a costa do Rio de Janeiro, devido à sua altitude.

Atualizado às 18.17 horas.

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