Primeiro foi uma declaração conjunta assinada por sete líderes europeus no início da semana em resposta às ameaças de Donald Trump em relação a uma possível anexação da Gronelândia, na qual afirmavam que “a Gronelândia pertence ao seu povo” e sublinhando que apenas Copenhaga e Nuuk podem “decidir sobre os assuntos” que lhes dizem respeito. Agora os presidentes de França e Alemanha subiram o tom das críticas europeias, alertando que “há uma quebra de valores por parte do nosso parceiro mais importante” e que os Estados Unidos estão a “afastar-se gradualmente” de alguns aliados e a “libertar-se das regras internacionais”. Num tom quase inédito, o presidente da Alemanha afirmou que a democracia global está a ser atacada como nunca, apontando a anexação da Crimeia por parte da Rússia e a invasão da Ucrânia como um ponto de viragem e a atuação da atual Casa Branca como uma segunda rutura histórica. “Além disso, há a quebra de valores por parte do nosso parceiro mais importante, os EUA, que ajudaram a construir esta ordem mundial”, declarou na quarta-feira à noite Frank-Walter Steinmeier.Para o antigo líder da diplomacia alemã, citado pela Reuters, “trata-se de impedir que o mundo se transforme num antro de ladrões, onde os mais sem escrúpulos levam tudo o que querem, onde regiões ou países inteiros são tratados como propriedade de algumas grandes potências.”Fazendo eco das críticas do seu homólogo alemão, Emmanuel Macron aproveitou esta quinta-feira, 8 de janeiro, o seu discurso anual perante os embaixadores franceses para alertar que os EUA estão a “afastar-se gradualmente” de alguns aliados e a “libertar-se das regras internacionais”. “As instituições do multilateralismo estão a funcionar cada vez menos eficazmente. Estamos a viver num mundo de grandes potências com uma verdadeira tentação de dividir o mundo entre si”, afirmou o presidente francês, acrescentando que “rejeitamos o novo colonialismo e o novo imperialismo, mas também rejeitamos a vassalagem e o derrotismo”.O ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Jean-Noël Barrot, anunciou na quarta-feira que vários aliados europeus estavam a trabalhar num plano de resposta caso os EUA concretizem a ameaça de invadir e anexar a Gronelândia, depois de a Casa Branca ter voltado a dizer estar a considerar “múltiplas alternativas”, incluindo a militar.Uma informação que foi confirmada ontem pela líder da diplomacia da União Europeia. “As mensagens que recebemos sobre a Gronelândia são extremamente preocupantes, e também tivemos discussões entre os europeus [sobre] se esta é uma ameaça real e, em caso afirmativo, qual seria a nossa resposta”, afirmou Kaja Kallas, recordando que “como a Dinamarca tem sido uma boa aliada dos EUA estas declarações não estão realmente a contribuir para a estabilidade mundial”.A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse na quarta-feira que uma possível compra da Gronelândia pelos EUA estava a ser discutida por Trump e pela sua equipa, mas deixou claro que “todas as opções estão sempre em cima da mesa”, ressalvando que “a primeira opção do presidente sempre foi a diplomacia”.Respondendo a um pedido dos ministros dos Negócios Estrangeiros da Dinamarca e da Gronelândia, o secretário de Estado norte-americano disse na quarta-feira que o encontro iria realizar-se na próxima semana, sem adiantar data, local ou participantes. “Este é o diálogo necessário, conforme solicitado pelo governo em conjunto com o governo da Gronelândia”, disse o ministro da Defesa dinamarquês, Troels Lund Poulsen..Europa discute resposta aos EUA em caso de anexação da Gronelândia.Senado aprova resolução que pode limitar os poderes de guerra de Trump. Venezuela liberta presos políticos