Leão XIV entrou esta quinta-feira, 11 de junho, na reta final da sua visita a Espanha com uma passagem de dois dias pelas Canárias e que, como já tinha sido anunciado, está a ser marcada por um enfoque na situação dos migrantes, tema que já havia abordado antes, nomeadamente no seu discurso perante o Congresso dos Deputados em Madrid. Dados do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados mostram que, até 31 de maio, dos 10 224 migrantes chegados a Espanha este ano, 7040 chegaram através da rota do Mediterrâneo Ocidental, e os restantes 3184 pela rota atlântica da África Ocidental, que tem como destino as ilhas Canárias. Falando no porto de Arguineguín, na Gran Canária, o papa apelou a que a Europa faça um “exame de consciência” perante o drama migratório de forma a que o Mediterrâneo e o Atlântico deixem de ser “cemitérios sem lápides”, sublinhando que a dignidade humana “não tem passaporte”. “Este drama deve converter-se num exame à consciência: para os países de origem, que devem criar condições de paz, justiça e desenvolvimento; para os países de passagem, chamados a proteger e a não deixar os frágeis nas mãos de redes criminosas; para a Europa, que não pode proclamar a dignidade humana e acostumar-se a que o Mediterrâneo e o Atlântico sejam cemitérios sem lápides; para a comunidade internacional, chamada a uma cooperação eficaz e perseverante”, afirmou o líder dos católicos. Nesta passagem por Arguineguín - onde também se encontrou com um grupo de migrantes e agradeceu aos voluntários que ajudam aqueles que chegam às ilhas -, Leão XIV dirigiu-se ainda aos “que detêm responsabilidades decisivas” na gestão da migração. “Não basta gerir as chegadas, divulgar números, reforçar as fronteiras ou lamentar as mortes depois de já terem ocorrido. Cada barco que chega traz não só migrantes, traz consigo uma questão: que tipo de mundo construímos se tantos dos nossos irmãos e irmãs têm de arriscar a vida em busca de uma vida melhor? A dignidade humana exige vias legais e seguras, resgate e assistência, cooperação real contra os traficantes, proteção efetiva para as vítimas, processos sérios de acolhimento e integração e políticas que permitam a cada pessoa viver com dignidade na sua própria terra”, questionou. Na cerimónia falou também o capitão de salvamento marítimo Tito Villarmea, que se referiu aos seus 18 anos a trabalhar à noite nas ilhas Canárias, onde resgatou 20 mil pessoas, “um número doloroso, que não será esquecido”. .P&R. Discurso no Congresso, Sagrada Família e migrantes: o que espera o papa em Espanha?.Leão XIV critica a “desqualificação” política e a exclusão dos migrantes.Migrações, polarização política, aborto e eutanásia. Os temas tocados pelo Papa no parlamento espanhol