O presidente de Cabo Verde, José Maria Neves, disse esta segunda-feira (18 de maio) que a democracia no país ficou mais forte, após mais um processo eleitoral tranquilo. “O povo, soberanamente, falou. É o principal vencedor. Cabo Verde está, mais uma vez, de parabéns. A democracia saiu robustecida”, escreveu nas redes sociais, após o Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), liderado por Francisco Carvalho, ter vencido o Movimento pela Democracia (MpD), do primeiro-ministro Ulisses Correia e Silva, que admitiu a derrota e demitiu-se da liderança partidária.“Os cabo-verdianos passaram uma mensagem clara: chegou a hora de mudar a gestão do país”, disse Francisco Carvalho na declaração de vitória, na sede do PAICV, na cidade da Praia, congratulando-se com a maioria absoluta e o regresso ao poder, dez anos depois. O partido elegeu 37 deputados, com o MpD a ficar-se pelos 33. A União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID) elegeu dois deputados. “Podem esperar de nós tudo o que prometemos, com exceção do que depender de alterações constitucionais, porque o MpD não vai colaborar quanto a isso”, acrescentou Francisco Carvalho, falando de uma vitória para a qual a equipa trabalhou e de “um projeto construído a partir da necessidade dos cabo-verdianos”. Entre as promessas eleitorais está o acesso gratuito à universidade pública, assim como aos cuidados de saúde, além de viagens domésticas de barco a 500 escudos (4,53 euros) e de avião a 5.000 escudos (45,35 euros). “Não vamos invocar desculpas para não cumprir”, disse.Francisco Carvalho falou já depois de Ulisses Correia e Silva admitir a derrota. “Telefonei ao presidente do PAICV a felicitá-lo pelo resultado e a desejar-lhe sucessos na governação”, disse o primeiro-ministro ainda na noite de domingo (17 de maio), no discurso da derrota na sede nacional do MpD, na cidade da Praia..Correia e Silva, que cumpriu dois mandatos e estava à frente do governo desde abril de 2016, disse que o MpD assumirá o seu papel na Assembleia Nacional como “oposição responsável”, comprometendo-se a continuar a servir Cabo Verde e a assegurar uma transição governativa tranquila.“A passagem de pastas será assegurada com normalidade, como deve ser em democracia, garantindo uma transição tranquila e pacífica, demonstrando mais uma vez que Cabo Verde é uma democracia madura e respeita as regras institucionais”, afirmou.Perante os resultados, o líder do MpD indicou que irá apresentar a demissão da presidência do partido, para permitir a eleição de uma nova liderança. “Não vou colocar o meu lugar à disposição, vou apresentar a minha demissão como presidente do MpD, para que o partido possa escolher um novo presidente, novos órgãos e novos dirigentes, entrando numa nova fase”, declarou, defendendo a renovação interna. “As pessoas passam, as instituições continuam”, disse.“A vida continua. Terminadas as eleições, devemos regressar à normalidade, transmitir ao país uma mensagem de tranquilidade e centrar-nos no essencial, que é fazer o país avançar”, afirmou. O líder do MpD considerou ainda que o desenvolvimento do país não depende apenas de quem governa, mas também dos cidadãos, das organizações e das instituições. “Há vida para além da política. Foram vários anos de dedicação, como primeiro-ministro, presidente da Câmara da Praia, deputado e membro do Governo. É tempo de dar lugar a outros”, disse ainda sobre o fim do ciclo político.O primeiro-ministro português, Luís Montenegro, felicitou Francisco Carvalho pela vitória. “Nesta nova fase que agora se inicia saúdo o apego democrático de todos os cabo-verdianos e reitero a plena disponibilidade de Portugal para continuar a trabalhar e a cooperar com um país irmão”, escreveu no X. “Além da força dos laços que nos unem, partilhamos também prioridades comuns: mais desenvolvimento, mais prosperidade e mais crescimento. Por Portugal e por Cabo Verde.” .Ulisses Correia e Silva, o primeiro-ministro que acredita que vai ter uma terceira vitória em Cabo Verde