"Make V4 great again!”. Foi esta a legenda usada pelo primeiro-ministro polaco, Donald Tusk, para a fotografia do encontro que o juntou aos seus homólogos da Eslováquia, Hungria e República Checa antes do Conselho Europeu do final da passada semana, em Bruxelas. Frase que em português pode ser lida como “Fazer o V4 grande outra vez!”, numa referência ao slogan MAGA de Donald Trump. Esta terça-feira (23 de junho), em Budapeste, os quatro líderes do chamado Grupo de Visegrado (V4) voltarão a estar juntos naquela que será a sua primeira cimeira desde 2022 e que se tornou possível com a chegada de Péter Magyar à liderança do governo húngaro depois de ter derrotado Viktor Orbán nas legislativas de abril. “Estamos a relançar o Grupo de Visegrado! (...) Vamos trabalhar juntos por uma Europa Central forte!”, escreveu Péter Magyar também no X como legenda à mesma foto. A Hungria ocupa atualmente a presidência do grupo, que passará a 1 de julho à Eslováquia de Robert Fico, que também já mostrou a sua satisfação com este novo fôlego - a 4 de maio, na cimeira da Comunidade Política Europeia, em Erevan, publicou uma selfie tirada pelo checo Andrej Babis em que aparece ainda Tusk, dizendo “três mosqueteiros aguardam o quarto e o renascimento do V4.”.O grupo deve o seu nome à cidade húngara de Visegrado e foi criado em 1991 ainda a três, tendo passado a quatro após a dissolução da Checoslováquia dois anos depois. O seu grande objetivo foi alcançado em 2004, quando Polónia, Hungria, República Checa e Eslováquia entraram para a União Europeia, sendo desde então concebido como um grupo para promover os interesses da Europa Central dentro do bloco dos 27, tendo ganho especial destaque durante a crise migratória de 2015, quando bloqueou a abordagem inicial da UE à migração externa proposta por Angela Merkel. De notar que os quatro países representam uma população comparável à de Itália e o seu PIB conjunto seria o quarto da UE, o que dá ao grupo um peso que não pode ser ignorado.No entanto, o V4 tem vindo a perder influência nos últimos anos, principalmente devido às divisões entre o então primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, próximo do Kremlin, e o seu homólogo polaco, Donald Tusk, um profundo europeísta. Mas, depois de assumir o governo da Hungria, a 9 de maio, Péter Magyar deu logo sinais de que pretendia relançar o V4, tendo escolhido a Polónia como destino da sua primeira visita ao estrangeiro. “O Grupo de Visegrado pode recuperar a sua vitalidade e influência dentro da União Europeia”, disse Magyar a 20 de maio, numa conferência de imprensa com Tusk em Varsóvia. “Pessoalmente, estou pronto para expandirmos esta cooperação de Visegrado para incluir outros países.”Na mira do húngaro estão “os países nórdicos, talvez a Áustria, a Croácia, a Eslovénia, a Roménia”, mas também as nações dos Balcãs Ocidentais, que não fazem parte da UE, mas que estão em processo de adesão. “Ficarei mais do que feliz”, respondeu Tusk na mesma ocasião. “Esperei muitos, muitos anos por este momento para me voltar a sentar à mesma mesa com um húngaro, um eslovaco e um checo para discutir o que podemos fazer juntos pelas nossas nações e pela Europa”. O primeiro passo foi dado na semana passada, quando os ministros dos Negócios Estrangeiros dos quatro países se encontraram no Luxemburgo, à margem de uma reunião da UE. “Os próximos meses - a começar pelo programa da presidência eslovaca no início de julho - revelarão se a selfie em Erevan representa uma oportunidade fotográfica passageira ou o início de um novo capítulo substancial. Se os novos ‘quatro mosqueteiros’ aprenderem com o passado e aproveitarem as oportunidades presentes na diplomacia económica global, a Europa Central e Oriental poderá, mais uma vez, alargar a sua influência e contribuir de forma significativa para a segurança e prosperidade europeias”, defende Wojciech Przybylski, editor-chefe do think tank polaco Visegrad Insight..Grupo de Visegrado mantém 'veto' a Timmermans como presidente da Comissão.Costa responsabiliza Grupo de Visegrado e Salvini por cimeira "muito frustrante"