O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, que está no poder desde 2007, anunciou no domingo, 47.º aniversário da revolução sandinista que o levou pela primeira vez ao poder em 1979, que não haverá mais eleições no país. "Aqui não haverá mais eleições para que eles [a oposição] não possam tentar tomar o governo, tomar o poder", declarou no discurso diante da multidão em Manágua.O ex-guerrilheiro sandinista, com 80 anos, esteve no poder entre 1979 e 1990, voltando a governar a Nicarágua em 2007. Desde 2017 que o faz ao lado da mulher, Rosario Murillo, na altura vice-presidente, repetindo-se as denúncias de fraude eleitoral e acusações de eliminação da oposição. Com a reforma constitucional de fevereiro de 2025, que deu poderes absolutos ao casal, Murillo passou a ser copresidente. A mesma reforma alargou o mandato presidencial de cinco para seis anos, adiando as eleições gerais que estavam previstas em novembro deste ano para novembro de 2027. Mas agora, Ortega diz que não se vão realizar.O chefe da diplomacia dos EUA, Marco Rubio, já reagiu ao anúncio. “A declaração de Daniel Ortega de que a Nicarágua nunca realizará eleições sob a ditadura da sua família revela a sua verdadeira natureza autoritária”, disse num comunicado do Departamento de Estado. “O povo nicaraguense tem o direito de escolher os seus próprios líderes através de eleições democráticas”, acrescentou, dizendo que Ortega e Murillo "abandonaram até a aparência de ter o apoio popular"."Os EUA apelam à comunidade internacional para unir forças e demonstrar à ditadura de Murillo-Ortega que não pode esperar manter relações normais com outras nações, ao mesmo tempo que mina os princípios fundamentais do nosso hemisfério democrático", concluiu.."A Nicarágua atua como colónia da Rússia, há uma alienação extrema"