O primeiro-ministro húngaro afirmou esta segunda-feira, 6 de abril, que o país vive um período muito crítico, após uma alegada tentativa de sabotagem de um gasoduto na Sérvia, e voltou a admitir envolvimento da Ucrânia, algo que as autoridades sérvias já negaram."A segurança energética do país não é uma questão de campanha, é uma questão de governo, e isso exige calma, calma estratégica, não teatro, não palhaçada, mas uma mão calma, firme e segura", disse Viktor Orbán, citado pelo site de notícias Euronews.As autoridades sérvias abriram no domingo uma investigação depois de agentes do Exército e da Polícia terem encontrado duas mochilas e dois grandes pacotes de explosivos com detonadores perto do gasoduto Balkan Stream, na localidade de Kanjiza, na fronteira com a Hungria.O primeiro-ministro convocou um Conselho de Defesa extraordinário na tarde de domingo e anunciou o reforço da proteção militar do troço húngaro do gasoduto, uma extensão do Turk Stream, que abastece a Sérvia e a Hungria de gás natural russo.Na manhã desta segunda-feira, Orbán deslocou-se a Kiskundorozsma, perto da fronteira com a Sérvia, acompanhado do ministro dos Negócios Estrangeiros, Péter Szijjártó, para inspecionar o reforço militar."Ainda não se sabe quem preparou a operação de sabotagem contra o gasoduto Turk Stream. Os sérvios estão a investigar, mas, ao mesmo tempo, o ocorrido encaixa-se numa série de eventos, e os ucranianos têm essa capacidade e estão dispostos e aptos a fazer algo assim", disse o primeiro-ministro à imprensa, no local.O chefe do Governo húngaro afirmou que não prejudicaria ainda mais as relações entre Budapeste e Kiev acusando a Ucrânia sem conhecer os factos e que aguardaria a conclusão das investigações.Depois de sublinhar que o país vive um momento muito crítico, na última semana da campanha para as eleições legislativas do próximo domingo, Viktor Orbán enfatizou: "Recomendo a todos que não vejam isto como uma questão de campanha. Vejo que não fomos nós que fizemos disso uma campanha, mas sim os nossos adversários".As Forças Armadas da Sérvia afirmaram que o dispositivo explosivo foi fabricado nos Estados Unidos e suspeitam do envolvimento de imigrantes.“Não é verdade que os ucranianos tentaram sabotá-lo", disse Duro Jovanić, diretor do serviço antiterrorista das Forças Armadas da Sérvia."Tínhamos informações de que um indivíduo pertencente a um grupo de migrantes está a tentar realizar um ato de sabotagem contra a infraestrutura de gás”, afirmou o responsável sérvio, citado pelo jornal online húngaro Világgazdasag."Segundo as nossas informações, trata-se de um adulto apto para o serviço militar, que certamente será detido. A única questão é se a investigação durará três dias ou vários meses", acrescentou.O Ministério Público de Subotica (Sérvia) instaurou processos por produção, posse e distribuição ilegais de armas e explosivos, bem como pelo crime de sabotagem, refere o mesmo jornal online.Ainda segundo a imprensa húngara, Viktor Orbán foi questionado esta segunda-feira sobre a declaração do líder do partido opositor Tisza, Péter Magyar, que afirmou que os russos conspiraram com os sérvios e que Viktor Orbán esteve nos bastidores.“E os marcianos, claro”, ironizou o primeiro-ministro, que defendeu que o assunto "exige mais seriedade".O primeiro-ministro, candidato a um quinto mandato à frente do Governo húngaro, avisou que se este gasoduto for bloqueado, “será um grande problema”.“A Ucrânia já bloqueou um gasoduto em 2022, mas, ao aumentar a capacidade do Turk Stream, conseguimos abastecer a Hungria com energia. Se esse fornecimento for interrompido, centenas de milhares de famílias húngaras ficarão sem energia", alertou.Orbán afirmou que o problema da segurança energética da Hungria ultrapassa o período eleitoral.Insistiu que a Europa caminha para uma crise energética extremamente grave, devido ao conflito no Médio Oriente, voltando a defender a suspensão das sanções ao gás e petróleo russos.“A ameaça à infraestrutura húngara persistirá até que a decisão negativa sobre a energia russa seja revertida na Europa e a ordem normal anterior à guerra seja restaurada, quando a energia poderia ser importada para a União Europeia de todas as direções, inclusive do Leste”, sustentou.No domingo, a Ucrânia negou qualquer envolvimento no caso.Entretanto, Moscovo já reagiu: a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, Maria Zakharova, classificou o ato como uma ameaça direta à independência húngara.O incidente ocorre no arranque da última semana da campanha das legislativas húngaras, nas quais Péter Magyar surge como favorito nas sondagens, podendo afastar Viktor Orbán do poder, ao fim de 16 anos..Ucrânia nega ligação a explosivos encontrados perto de gasoduto na Sérvia