O rescaldo de um ataque israelita em Tyre, no sul do Líbano.
O rescaldo de um ataque israelita em Tyre, no sul do Líbano.FOTO:EPA/STRINGER

ONU pede doação de quase 600 milhões de euros para o Líbano

Crise humanitária no Líbano está a deteriorar-se, com deslocações constantes da população civil, capacidade insuficiente de acomodação e perspetivas limitadas de regresso seguro.
Publicado a
Atualizado a

As Nações Unidas pediram esta sexta-feira, 5 de junho, o equivalente a 594 milhões de euros em donativos humanitários para o Líbano, duplicando assim o valor pedido em março passado.

No apelo de emergência emitido esta sexta-feira, o Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA, na sigla original) alertou que a crise humanitária no Líbano é grave e está a deteriorar-se, referindo problemas como as deslocações constantes da população civil, a capacidade insuficiente de acomodação e as perspetivas limitadas de regresso seguro estão a agravar a vulnerabilidade dos cidadãos.

A agência da ONU alertou ainda que as pessoas afetadas estão a esgotar "as capacidade de adaptação" e os serviços essenciais estão sob crescente pressão.

Em março, a ONU havia solicitado 308 milhões de dólares (264 milhões de euros) para apoiar a resposta de emergência em grande escala liderada pelo Governo libanês até ao final do passado mês de maio. Agora, o objetivo é mais do que duplicar este valor para chegar a 1,4 milhões de pessoas (cerca de um quarto da população) que necessitam de assistência humanitária no Líbano.

O Líbano estima que os ataques israelitas tenham resultado em mais de 3500 vítimas mortais, desde que o Hezbollah atacou Israel a 2 de março. Desde o início da guerra, quase um milhão de libaneses foram forçados a fugir dos locais de residência em todo o país, enquanto mais de 1,2 milhões de pessoas enfrentam uma "grave insegurança alimentar", de acordo com o apelo divulgado esta sexta-feira.

A agência informou que a pressão sobre os preços está a agravar a situação, com o custo da água, dos combustíveis e da eletricidade a aumentar mais de um terço em todo o país e até 70% nas zonas afetadas diretamente pelo conflito, destacando ainda a sobrecarga que o conflito está a causar no sistema de saúde do Líbano, com 62 hospitais e outras instalações médicas danificadas ou encerradas. A educação também foi afetada, uma vez que quase 450 escolas estão a ser utilizadas para acolher deslocados.

Diário de Notícias
www.dn.pt