O chefe da diplomacia iraniana, Abbas Araghchi, disse esta terça-feira (17 de fevereiro) que há um entendimento com os EUA sobre os "princípios orientadores" do diálogo, mas ainda há muito trabalho a fazer. "O caminho para um acordo começou", afirmou.Uma nova ronda de negociações entre Teerão e Washington sobre um acordo nuclear decorreu esta manhã em Genebra, na Suíça. Os EUA foram representados pelo enviado-especial da Casa Branca, Steve Witkoff, e pelo genro do presidente Donald Trump, Jared Kushner, nas negociações indiretas mediadas por Omã (Mascate acolheu a primeira ronda de negociações, no dia 6). Nenhum deles falou publicamente sobre o encontro, mas fontes norte-americanos disseram à Reuters que “progresso foi feito, mas ainda há muitos detalhes a discutir”, e que são esperadas propostas concretas do lado iraniano no espaço de duas semanas."Posso dizer que, em comparação com a última ronda, tivemos discussões muito sérias e um ambiente construtivo, no qual trocámos os nossos pontos de vista", disse Araghchi aos jornalistas.“Conseguimos chegar a um amplo acordo sobre um conjunto de princípios orientadores, com base nos quais avançaremos e começaremos a trabalhar no texto de um possível acordo”, acrescentou, explicando que o próximo passo é cada um dos lados trabalhar num rascunho de um texto antes de ser definida uma data para uma terceira ronda.O ministro dos Negócios Estrangeiros insistiu que Teerão já reiterou por diversas vezes que “não procura fabricar nem adquirir armas nucleares, que não têm qualquer lugar na doutrina de segurança nacional do Irão”.Mas Araghchi lembrou também que o Tratado de Não Proliferação Nuclear “reconhece explicitamente o direito inalienável de todos os Estados-membros de desenvolver, pesquisar, produzir e usar energia nuclear, incluindo o enriquecimento, para fins pacíficos”.“Este direito é inerente, inegociável e juridicamente vinculativo”, insistiu.Araghchi criticou a decisão dos EUA de retirarem do acordo nuclear em 2018, falando num “ rude golpe na confiança e na estabilidade das obrigações multilaterais”.Mas criticou ainda mais o bombardeamento norte-americano de junho, quando decorriam negociações entre os dois países, falando numa violação das leis internacionais. Durante a nova ronda de negociações, o Irão encerrou temporariamente partes do estreito de Ormuz por "precauções de segurança", enquanto a Guarda Revolucionária do Irão realizava exercícios militares no local.Teerão já ameaçou fechar o estreito à navegação comercial caso seja atacado, uma medida que interromperia um quinto do fluxo global de petróleo e aumentaria os preços do crude. Apesar de querer apostar no diálogo, Trump enviou para a região dois porta-aviões para pressionar Teerão a negociar. .Irão espera acordo “justo e equitativo”, mas rejeita “submissão diante de ameaças”