O novo líder supremo do Irão, Mojtaba Khamenei, afirmou esta quinta-feira, 30 de abril, através de uma mensagem escrita, que um novo capítulo para o Golfo e o Estreito de Ormuz se tem vindo a desenhar desde o início da guerra no Médio Oriente.Khamenei disse que Teerão vai garantir a segurança da região do Golfo e eliminar o que descreveu como "os abusos do inimigo na via navegável".O líder supremo acrescentou que a nova gestão do Estreito de Ormuz trará calma, progresso e benefícios económicos a todas as nações do Golfo.Khamenei prometeu ainda proteger as "capacidades nucleares e de mísseis" do seu país. "90 milhões de iranianos orgulhosos e honrados, dentro e fora do país, consideram todas as capacidades do Irão, sejam elas baseadas na identidade, espirituais, humanas, científicas, industriais e tecnológicas – desde a nanotecnologia e biotecnologia às capacidades nucleares e de mísseis – como património nacional e irão protegê-las tal como protegem as águas, a terra e o espaço aéreo do país", frisou.Esta declaração foi lida por um apresentador da televisão estatal, uma vez que o novo líder supremo do Irão continua sem ser visto nem ouvido pessoalmente desde que assumiu o poder. Na declaração, o filho do anterior aiatola Ali Khamenei, morto aos 86 anos num ataque dos Estados Unidos a 28 de fevereiro, adotou um tom desafiante, insistindo que o único lugar para os norte-americanos no Golfo Pérsico é “no fundo das suas águas” e que está a ser escrito “um novo capítulo” na história da região. .EUA lançam ofensiva diplomática para aliança internacional com vista à reabertura do estreito de Ormuz.Trump ordenou a 28 de fevereiro um ataque ao Irão, em conjunto com Israel, que destruiu grande parte da capacidade militar e da indústria de fabrico de mísseis e ‘drones’ de Teerão. A República Islâmica respondeu ao ataque, justificado com a ameaça nuclear iraniana, disparando mísseis e 'drones' contra os países vizinhos, sobretudo a indústria de petróleo e gás destes, e bloqueando o Estreito de Ormuz, o que levou a uma escalada dos preços dos combustíveis, fortemente penalizadora de países importadores. Depois de Washington ter prorrogado o cessar-fogo acordado com o Irão em 08 de abril, o impasse diplomático tem vindo a arrastar-se, com a falta da confirmação de uma segunda reunião presencial para tentar chegar a um acordo de paz, após um primeiro encontro na capital paquistanesa, Islamabad. As autoridades da República Islâmica exigiram que Washington termine o bloqueio do Estreito de Ormuz como condição para o avanço das negociações sobre o fim do conflito. Trump voltou esta quarta-feira a criticar o Irão por “não conseguir organizar-se" para negociar um acordo de paz. “Não sabem como assinar um acordo não nuclear. É melhor que despertem rápido!”, publicou Trump na rede Truth Social, acompanhando a mensagem de uma ilustração de si próprio de óculos escuros e uma metralhadora na mão em pose ameaçadora. O bloqueio naval aos portos iranianos está em vigor desde 13 de abril e, segundo os EUA, praticamente paralisou o comércio da República Islâmica. O Centcom intercetou na terça-feira um navio comercial no mar Arábico por suspeita de se dirigir para o Irão, embora tenha sido libertado depois de se ter constatado que tinha outro destino. Na segunda-feira, o Centcom informou que um contratorpedeiro da Marinha dos EUA deteve o petroleiro M/T Stream, de bandeira iraniana, somando-se a pelo menos dois navios de carga iranianos apreendidos nas semanas anteriores em operações americanas.