Nova Zelândia escolhe entre dois "Chris" mas "Q" pode ter a última palavra
Em agosto de 2015, Qiulae Wong respondeu a um anúncio de emprego que lhe chegou por email a pedir um líder para o Partido Opportunity. A consultora de negócios sustentáveis ficou curiosa e não demorou mais de 30 segundo a apresentar a candidatura. Foi escolhida. E passado pouco mais de um ano, "Q", como é conhecida, pode tornar-se neste sábado, 7 de novembro, na fazedora de reis nas eleições na Nova Zelândia.
Tudo porque, a acreditar nas últimas sondagens, nem a coligação de direita, no poder, liderada por Christopher Luxon, nem o bloco da oposição de esquerda, chefiado por Chris Hipkins, deverão conseguir a maioria necessária para governar.
Um estudo The Post/Freshwater Strategy dava 30,7% de intenções de votos ao Partido Trabalhista de Hipkins, contra 26,4% do Partido Nacional de Luxon.
O sistema proporcional misto da Nova Zelândia exige dois votos – um para um partido e outro para um candidato de um círculo eleitoral local. O que faz com que os pequenos partidos detenham frequentemente o equilíbrio de poder. Em 2023, por exemplo, o Partido Nacional conseguiu 38% dos votos e precisou do New Zealand First e do Act para formar governo.
Nesta batalha entre os dois "Chris", Qiulae pode portanto vir a ter a palavra final, se, como indicam as sondagens, o seu Opportunity ultrapassar a barreira dos 5% dos votos.
Frustrados com o aumento do custo de vida, o desemprego que os últimos números colocam nos 11% e a estagnação da economia nos últimos anos, os eleitores parecem pouco convencidos com os dois partidos tradicionais.
Aos 38 anos, "Q" pode beneficiar deste descontentamento depois de uma campanha em que o Opportunity se apresentou como favorável tanto às empresas como ao ambiente e prometeu um imposto sobre a propriedade, bem como um rendimento básico universal para substituir os apoios sociais.
Qiulae nasceu nas Fiji, para onde os avós paternos imigraram vindos da China depois da II Guerra Mundial e onde o pai voltara nos anos 1980 depois de ter feito os estudos na Nova Zelândia. Foi na universidade que conheceu a futura mulher, Margaret, de origem europeia. A filha tinha apenas seis meses quando o casal se mudou de vez para um subúrbio de Auckland, onde Qiulae cresceu.
Com uma dupla licenciatura, em Direito e em Política, "Q" trabalhou com o Ethical Fashion Group, mais concretamente com a Common Objective, que apoiou empresas como Vivienne Westwood e Stella McCartney na sua transição para modelos de negócio mais sustentáveis. Mais tarde, passou a trabalhar como consultora de negócios sustentáveis na KPMG, uma das maiores empresas de prestação de serviços profissionais.
Pouco mais de um ano depois de ter entrado na política, Q liderou a campanha do Opportunity para estas eleições, propondo a redução dos preços da habitação através de um imposto sobre o valor do solo. Outra das suas propostas era a introdução de uma "Voz do Cidadão", ou seja, assembleias de cidadãos para debater questões importantes.
Se o Opportunity chegar ao Parlamento este sábado, poderá agora ser o fiel da balança para determinar quem será o próximo primeiro-ministro da Nova Zelândia.
"Q" já disse estar disposta a trabalhar com qualquer um dos lados. Mas o primeiro-ministro Luxon descartou um acordo pós-eleitoral com o Opportunity. Uma decisão que lhe poderá custar perder o poder.
Caso os resultados não sejam claros a favor de um ou de outros, podemos ter de esperar semanas até sabermos quem vai ser o próximo chefe do governo neozelandês.

