Netanyahu ordena bloqueio total da Cisjordânia e anuncia operação militar israelita de grande escala
O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, ordenou esta sexta-feira um bloqueio total da Cisjordânia ocupada e anunciou uma operação militar de grande escala, na sequência de um ataque a tiro que fez matou dois soldados israelitas em Hebron. As medidas incluem a retirada de residentes palestinianos dos bairros visados, buscas casa a casa e a demolição de edifícios, numa nova escalada de tensão a poucos dias das eleições legislativas em Israel, marcadas para 27 de outubro.
Numa mensagem em vídeo, Netanyahu afirmou que as Forças de Defesa de Israel vão entrar nos bairros de onde partiram os atacantes. “Retirarão os residentes, realizarão buscas casa a casa e desmantelarão as infraestruturas terroristas”, declarou. O chefe do Governo israelita garantiu ainda que o Exército está preparado para uma operação “numa escala nunca vista desde a Guerra dos Seis Dias”, em 1967.
O ataque contra os israelitas no sul da Cisjordânia ocorreu durante a manhã desta, quando dois homens abriram fogo sobre os militares. Os dois atacantes foram mortos pelas forças israelitas durante uma troca de tiros que fez também dois mortos entre os soldados israelitas e outros três feridos.
Netanyahu afirmou que foi evitado um “ataque de grande escala” e ordenou o bloqueio imediato de Hebron, além do encerramento de acessos à Cisjordânia durante o dia. O Exército israelita anunciou, entretanto, o início de “operações antiterroristas” no território, ocupado por Israel desde 1967.
Além disso, Bezalel Smotrich, ministro das Finanças e uma das principais figuras da extrema-direita israelita, anunciou ter ordenado a demolição “imediata de um grande número de construções árabes ilegais adjacentes ao local do ataque”. Num comunicado publicado na rede social X, defendeu uma campanha militar “como em Gaza”, com o objetivo de “desmantelar a Autoridade Palestiniana, recolher armas e eliminar terroristas”.
Também Itamar Ben-Gvir, ministro da Segurança Nacional, apelou ao fim da Autoridade Palestiniana. “Não devemos esperar que um 7 de Outubro aconteça na Cisjordânia. É lá que vai eclodir a próxima guerra”, afirmou, numa referência ao ataque do Hamas contra Israel, em 2023.
A autoria do ataque desta sexta-feira não foi reivindicada até ao momento. O Hamas classificou a ação como uma “operação heroica”, mas não assumiu responsabilidade.

