NATO garante estar "vigilante" após míssil russo entrar na Polónia

Entrada no espaço aéreo polaco foi confirmada por aliados na Aliança Atlântica. Moscovo lançou o maior ataque de sempre em solo ucraniano, fazendo, pelo menos, 30 mortos.
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O secretário-geral da NATO garantiu ontem que a Aliança Atlântica vai "continuar vigilante", depois de a Polónia informar que "tudo indica" que um míssil russo atravessou parte do seu território na manhã desta sexta-feira, dia em que Moscovo levou a cabo o seu maior ataque de sempre na Ucrânia desde o início da invasão, a 24 de fevereiro de 2022.

"Conversei com o presidente [polaco] Andrzej Duda sobre o incidente com um míssil na Polónia. A Organização do Tratado do Atlântico Norte está solidária com este nosso valioso aliado, está a monitorizar a situação e vamos continuar em contacto enquanto os factos são apurados. A NATO vai continuar vigilante", escreveu Jens Stoltenberg na rede social X.

As forças armadas da Polónia informaram que um objeto não identificado entrou na manhã de ontem no espaço aéreo do país, na direção da Ucrânia, desaparecendo depois dos radares, e que ter-se-á tratado de um míssil russo. "Tudo indica que um míssil russo entrou no espaço aéreo da Polónia. Foi monitorizado por nós através de radares e deixou o espaço aéreo. Temos confirmação disso nos radares e de aliados" na NATO, disse o chefe das forças armadas da Polónia, general Wieslaw Kukula.

Segundo as autoridades polacas, o míssil terá entrado cerca de 40 quilómetros dentro do seu espaço aéreo e abandonou-o em menos de três minutos. Até ao fecho desta edição, Moscovo não se pronunciou sobre este incidente.

De recordar que, em novembro de 2022, um míssil ucraniano caiu na aldeia polaca de Przewodow, a cerca de seis quilómetros da fronteira com a Ucrânia, matando dois civis. A explosão ocorreu numa altura em que a Rússia estava a realizar ataques maciços contra infraestruturas civis ucranianas em todo o país, sendo que, até ser identificada a origem, a queda do míssil na aldeia polaca fez temer que a NATO fosse arrastada para o conflito.

Ontem, a Rússia realizou aquele que é considerado o ataque de maior dimensão desde que invadiu a Ucrânia há quase dois anos, provocando, pelo menos, 30 mortos civis e 132 feridos, de acordo com um balanço provisório.

Moscovo lançou 122 mísseis e 36 drones contra alvos em toda a Ucrânia, num ataque que durou 18 horas, com o Ministério da Defesa russo a reivindicar ter atingido "todos os alvos" previstos. Já Kiev diz que as suas forças de defesa aérea conseguiram abater 27 drones e 87 mísseis de cruzeiro.

No que diz respeito a alvos, na capital ucraniana fragmentos de vários mísseis intercetados atingiram quatro distritos, havendo a lamentar a morte de três pessoas e 28 feridos. Já em Dnipro, morreram seis pessoas e 28 ficaram feridas, incluindo uma criança de ano e meio, sendo que um centro comercial foi atingido por um míssil. As cidades de Zaporíjia, Odessa, Kharkiv , Lviv e Konotop foram igualmente atingidas pelos ataques russos.

O secretário do Conselho de Segurança e Defesa da Ucrânia prometeu que os ucranianos lutarão até derrotar a Rússia e avisou que estes ataques fizeram crescer o ódio aos russos no país. "Lutaremos o tempo que for preciso. A Rússia tem de morrer", afirmou Alexei Danilov. "Responderemos definitivamente aos terroristas pelos seus golpes. E lutaremos para garantir a segurança do nosso país, de todas as cidades, de todo o nosso povo", afirmou, por ser turno, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.

com agências

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