Pelo menos 25 membros da Guarda Nacional do México morreram no domingo (22 de fevereiro) na violência desencadeada pela morte do líder do Cartel Jalisco Nova Geração, conhecido como El Mencho, numa operação militar que tinha como objetivo a sua detenção. O país acordou esta segunda-feira (23 de fevereiro) muito mais calmo, com a presidente Claudia Sheinbaum a dizer que já não havia bloqueios de estrada - no domingo foram registados 85 - mas deixando claro que as autoridades estavam preparadas para qualquer novo incidente. “O mais importante é garantir a paz e segurança de toda a população. No dia de hoje [23 de fevereiro] já há mais tranquilidade. E há Governo, há Forças Armadas, há Gabinete de Segurança e há muita coordenação. Podem estar tranquilos que está a resguardar-se a paz, a segurança e a normalidade do país”, afirmou a presidente na habitual conferência de imprensa diária. “Estamos a acompanhar de perto qualquer tipo de reação ou reestruturação dentro do cartel que possa levar à violência”, disse o ministro da Defesa, o general Ricardo Trevilla, sabendo que é esse o cenário habitual. Rubén (ou Nemesio) Oseguera Cervantes, conhecido como El Mencho, foi morto durante uma operação das Forças Armadas mexicanas para o deter. Tinha 59 anos. Era o narcotraficante mais procurado do México e estava desde 2016 na lista dos mais procurados dos EUA, com alguns a considerarem-no mais perigoso que El Chapo (o líder do Cartel de Sinaloa extraditado em 2017). Desde há dois anos, o Governo norte-americano oferecia 15 milhões de dólares por informações que levassem à sua captura. .'El Mencho': barão da droga do México abatido em operação militar.O narcotráfico era uma coisa de família, tendo nascido no seio do Cartel Milénio. Na década de 1980, imigrou para os EUA, mas acabou preso. Regressaria a Jalisco já nos anos 1990 e, depois de deixar a prisão, entrou para a polícia. Mas, em 2011, fundou o Cartel Jalisco Nova Geração, que ficou conhecido pela violência, suspeitando-se que seja responsável por 75 mil mortes. Conhecido pelo secretismo, El Mencho foi apanhado por causa de uma das suas “companheiras sentimentais”, segundo o general Trevilla. Os serviços de informação militares identificaram um homem de confiança dessa companheira, seguindo-os quando foram até Tapalpa, no estado de Jalisco, onde ela se reuniu com El Mencho. Depois da companheira sair, as autoridades verificaram que Osguera Cervantes tinha ficado no local, preparando a operação para a sua captura. .Serviços de informações dos EUA foram fundamentais para localizar "El Mencho" após encontro romântico. Apesar de os EUA terem ajudado com informações, tanto Trevilla como Sheinbaum deixaram claro que a operação foi planeada e executada pelas Forças Armadas mexicanas. O presidente dos EUA, Donald Trump, limitou-se a escrever na Truth Social: “O México precisa de intensificar os seus esforços no combate aos cartéis e à droga!”. O objetivo da operação era deter El Mencho, alvo de mandados de captura tanto no México como nos EUA, e não matá-lo. As Forças Armadas responderam contudo à violência com que foram recebidas, matando oito alegados criminosos. Entre as dezenas de armas apreendidas estavam bazucas, como a que foi usada há uns anos para abater um helicóptero noutra operação para capturar El Mencho. O líder do cartel ainda conseguiu fugir, com membros do seu círculo próximo, mas acabou cercado e ferido (como dois dos seus homens). Os médicos decidiram que tinha que ir para o hospital, sendo chamado um helicóptero, mas ele acaba por morrer no trajeto, tendo-se optado por levar o seu corpo diretamente para a Cidade do México, temendo-se a violência se fosse para Guadalajara, capital de Jalisco. A violência acabou mesmo por rebentar, não só nesse estado mas em vários outros do país (o cartel está presente em 23 dos 32 estados, segundo a imprensa mexicana). As autoridades descobriram que um dos homens de confiança de El Mencho, o operador logístico e financeiro conhecido como El Tuli, estava a coordenar os bloqueios de estradas e os ataques a instalações militares. “Oferecia 20 mil pesos [quase mil euros] por cada militar morto”, indicou o general. Mas foi detetado e também morto pelas autoridades, que entretanto reforçaram a capacidade militar em Jalisco. Foram enviados 2500 efetivos de reforço, para além dos sete mil que já existem no estado, para atuar como um “efeito dissuasor”. Mas o domingo (22 de fevereiro) ficou marcado pela violência, com o secretário Federal de Segurança, Omar García Harfuch, a dizer que houve 85 bloqueios de estradas, ataques a gasolineiras e comércios, além de veículos incendiados. Houve 70 detidos em sete estados, além de 30 “delinquentes” mortos. Foram registadas 27 agressões contra as autoridades, seis delas em Jalisco, em que morreram 25 membros da Guarda Nacional, um segurança e um elemento da procuradoria. Faleceu ainda uma mulher que não estava envolvida nos acontecimentos. A violência causou o caos em muitas zonas turísticas, levando até várias companhias aéreas a cancelarem os seus voos para Puerto Vallarta (onde vários veículos e lojas foram incendiadas). A presidente mexicana mostrou-se convicta que os voos seriam retomados ainda esta segunda-feira (23 de fevereiro) ou, o mais tardar, na terça (24 de fevereiro). No domingo, os turistas e os habitantes de Jalisco e de outros estados tinham sido aconselhados a ficar nos hotéis e em casa..Violência no México após morte de "El Mencho". MNE pede a portugueses que evitem deslocações desnecessárias