Elon Musk elevou a fasquia na sua batalha judicial contra a OpenAI e a Microsoft. De acordo com novos documentos submetidos num tribunal federal esta sexta-feira, e este sábado (17) noticiados pela Reuters, o empresário reclama uma indemnização que pode ascender aos 134 mil milhões de dólares (cerca de 123 mil milhões de euros). Musk sustenta que ambas as empresas beneficiaram injustamente do seu investimento, reputação e conhecimentos técnicos durante os anos de formação daquela que é hoje uma das líderes na inteligência artificial generativa.No centro da disputa estão o que o dono da Tesla e do X chama de "ganhos indevidos" que a OpenAI e a Microsoft terão acumulado. Segundo os cálculos apresentados pela equipa jurídica de Musk, baseados na análise do economista financeiro C. Paul Wazzan, a OpenAI terá lucrado entre 65,5 e 109,4 mil milhões de dólares graças aos contributos iniciais do multimilionário. Já a Microsoft, principal parceira e investidora da OpenAI, terá obtido benefícios entre os 13,3 e os 25,1 mil milhões de dólares, segundo os mesmos cálculos."Sem Musk, não haveria OpenAI"Steven Molo, o advogado principal de Musk, foi taxativo nas declarações à imprensa: "Sem Elon Musk, não haveria OpenAI. Ele forneceu a maior parte do financiamento inicial, emprestou a sua reputação e ensinou-lhes tudo o que sabe sobre a escala de um negócio." Musk, que cofundou a OpenAI em 2015 como uma entidade sem fins lucrativos, afirma ter contribuído com cerca de 38 milhões de dólares -- cerca de 60% do financiamento inicial -- e ter sido peça-chave no recrutamento de talentos.O empresário, que abandonou o projeto em 2018 e gere agora a sua própria empresa de IA, a xAI, acusa a OpenAI de ter violado a sua missão original ao reestruturar-se como uma entidade comercial focada no lucro.Microsoft e OpenAI contra-atacamA resposta das tecnológicas não se limitou à defesa: tanto a OpenAI como a Microsoft avançaram com os seus próprios processos judiciais, intensificando o conflito. A OpenAI classificou a ação de Musk como "sem fundamento" e parte de uma "campanha de assédio" deliberada.Num documento separado submetido também na sexta-feira, as duas empresas contestaram formalmente os pedidos de indemnização. Os advogados solicitaram ao juiz que exclua o testemunho do perito de Musk, descrevendo as suas análises financeiras como "inventadas", "inverificáveis" e "sem precedentes". Argumentam ainda que é "implausível" exigir a transferência de milhares de milhões de uma organização para um antigo doador que se tornou, entretanto, um concorrente direto.A Microsoft tem mantido uma postura firme, negando qualquer evidência de que tenha "ajudado ou instigado" a OpenAI em práticas ilícitas, como sugere a equipa de Musk.O caso segue agora para julgamento em Oakland, na Califórnia. A decisão final caberá a um júri, com o início das sessões previsto para o próximo mês de abril. Além da compensação financeira, Musk poderá ainda procurar sanções punitivas e providências cautelares contra as visadas.