Sacerdote tinha 105 anos
Sacerdote tinha 105 anosFacebook José Ramos-Horta

Morreu o padre João Felgueiras, missionário jesuíta que estava em Timor-Leste desde 1971

Padre dedicou-se ao ensino da língua portuguesa durante a ocupação indonésia de Timor-Leste. Presidente timorense destacou-o como "profeta da educação e da solidariedade".
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O padre João Felgueiras morreu esta sexta-feira, 3 de julho, em Díli com 105 anos, avançou à Lusa fonte da residência dos jesuítas na capital timorense.

João de Vasconcelos Baptista Felgueiras natural das Caldas das Taipas, no concelho de Guimarães, foi ordenado sacerdote em 1950 e residia em Timor-Leste desde 1971, tendo completado 105 anos em junho.

João Felgueiras dedicou a sua vida à educação e à língua portuguesa, mesmo quando estava proibida em Timor-Leste, durante a ocupação indonésia.

O antigo Presidente português Jorge Sampaio condecorou o padre jesuíta em 2002 como Grande Oficial da Ordem da Liberdade, pela sua luta pela preservação da língua portuguesa em Timor-Leste.

Em 2016, foi condecorado pelo ex-chefe de Estado timorense Taur Matan Ruak com a insígnia da Ordem de Timor-Leste.

Em 2022, voltou a receber uma condecoração por um Presidente de Portugal, quando o ex-chefe de Estado Marcelo Rebelo de Sousa o distinguiu com a Grã-Cruz da Ordem de Camões.

Sinto-me português e timorense. Vim para aqui como missionário para trabalhar, enquanto a Companhia de Jesus quisesse e assim foi até agora. Todos contribuímos”, explicou em entrevista à Lusa há quatro anos, quando inaugurou a ampliação da Escola Amigos de Jesus, que fundou.

O passado foi vivido, e estou contente de ter vivido em paz, não fiz nada contra ninguém, nada de mal contra o povo e estou contente poder ter contribuído alguma coisa”, salientou o homem que educou várias gerações de timorenses.

Presidente timorense lembra "figura excecional" da história do país

O Presidente de Timor-Leste, José Ramos-Horta, recordou o padre João Felgueiras como uma “figura excecional” da história timorense e um "profeta da educação e solidariedade".

“A República Democrática de Timor-Leste despede-se hoje de uma figura excecional da nossa história contemporânea, cuja vida foi integralmente dedicada ao serviço do próximo, à educação, à dignidade humana e à construção da nossa identidade nacional”, afirmou, numa declaração divulgada pela Presidência timorense.

“Num tempo em que a língua portuguesa era proibida e a identidade cultural do nosso povo era profundamente ameaçada, o padre Felgueiras escolheu permanecer ao lado do povo timorense, partilhando os seus sofrimentos, as suas esperanças e a sua resistência”, lembrou o também prémio Nobel da Paz.

José Ramos-Horta destacou também que o padre Felgueiras foi um “educador incansável”, que dedicou a vida à formação de jovens, promoção da língua portuguesa e à “criação de espaços de ensino e de dignidade humana, entre os quais se destaca a Escola Amigos de Jesus, projeto que simboliza o seu compromisso permanente com a educação como instrumento de liberdade e transformação social”.

O Presidente timorense reconheceu também o padre João Felgueiras como um “profeta da educação e da solidariedade” e que o seu legado vai permanecer nas instituições que ajudou a construir, mas também nas gerações de timorenses que educou.

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