Gunther von Hagens morreu aos 81 anos.
Gunther von Hagens morreu aos 81 anos.Site Body Worlds

Morre Gunther von Hagens, anatomista alemão criador da maior exposição com cadáveres humanos do mundo

Famoso por desenvolver a plastinação, técnica de preservação de corpos, von Hagens criou exposição Body Worlds em 1995, levantando críticas sobre a forma sensacionalista com a qual lidava com a morte.
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O célebre médico anatomista alemão Gunther von Hagens, criador da exposição Body Worlds, uma mostra composta por cadáveres humanos preservados com a técnica da plastinação, morreu, aos 81 anos, conforme nota divulgada nesta segunda-feira, 27 de julho, pela família e sites oficiais dos seus projetos.

O trabalho de Gunther von Hagens tornou-se mediático por explorar o lado mortal dos seres humanos com uma mistura de ciência e entretenimento. Em 1977, ele desenvolveu a plastinação, método que preserva cadáveres retirando os seus fluídos naturais e injetando uma substância composta por polímeros, que, depois de endurecer, faz com que os corpos se mantenham praticamente sem sinais de decomposição.

"O seu trabalho serve à ciência, educação e à crença de que entender o nosso próprio corpo pode levar a uma vida mais saudável e consciente", lê-se na nota publicada nos seus sites oficiais.

Fontes ouvidas pela AP referem que von Gunther morreu na sexta-feira, 24 de julho, sem citar causas. A agência recorda que, em 2010, o alemão anunciou que tinha sido diagnosticado com a doença de Parkinson.

"Ele transformou a área da anatomia e proporcionou a milhões de pessoas uma visão única do corpo humano. Junto com a Dr. Angelina Whalley, criou a exposição Body Worlds, que inspirou mais de 58 milhões de visitantes pelo mundo", completa o comunicado oficial.

Na exposição, que estreou no Japão em 1995, os corpos são vistos de várias formas, a maioria sem pele, a mostrar, de forma nua e crua, o que está por baixo. Músculos, veias, artérias, órgãos vitais, de adultos e crianças, homens e mulheres, posicionados de forma a representar as mais diversas atividades realizadas pelos seres humanos ao longo da sua vida.

Um trabalho que despertou inúmeras críticas, sendo von Hagens acusado de sensacionalismo com a morte. Em 1997, quando a exposição chegou ao seu país natal, líderes religiosos tentaram boicotar a sua instalação. "O anatomista é forçado, no seu trabalho diário, a rejeitar os tabus e as convicções que as pessoas têm sobre a morte e os mortos”, disse von Hagens na altura, citado pela AP. “Aqui, toco em um tema tabu, que é o nosso corpo, e nada nos é tão próximo quanto o nosso próprio corpo”, disse na ocasião.

"O seu legado vive na investigação científica, na exposição Body Worlds, e nas memórias de milhões de pessoas cujas vidas ele tocou", diz a nota oficial.

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