Mona Juul
Mona JuulClaus Fisker/EPA

Mona Juul, figura central dos Acordos de Oslo, demite-se sob sombra de herança de Jeffrey Epstein

A ex-embaixadora na Jordânia, ligada historicamente ao Partido Trabalhista norueguês, é alvo de investigação após revelações sobre pagamentos milionários à sua família.
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O governo da Noruega anunciou este domingo (8 de fevereiro) a demissão imediata de Mona Juul, uma das diplomatas mais influentes do país, após a divulgação de documentos que a ligam ao falecido agressor sexual Jeffrey Epstein.

Juul, que desempenhou um papel histórico na mediação dos Acordos de Oslo, entre Israel e a Palestina, abandonou o cargo de embaixadora na Jordânia e no Iraque no rescaldo de um escândalo que abala as fundações da diplomacia nórdica.

O ministro dos Negócios Estrangeiros norueguês, Espen Barth Eide — que partilha a mesma filiação política de Juul o Partido Trabalhista (Arbeiderpartiet) — classificou a decisão como "correta e necessária". Segundo o ministro, os contactos de Juul com Epstein demonstraram um "grave erro de julgamento" da sua camarada de partido, tornando impossível a manutenção da confiança necessária para o exercício das suas funções.

As investigações ganharam fôlego com a divulgação de novos documentos pelo Departamento de Justiça dos EUA. Segundo a imprensa norueguesa, Jeffrey Epstein — que se suicidou numa prisão em Nova Iorque em 2019 — terá deixado uma herança de mais de oito milhões de euros aos dois filhos de Mona Juul e ao seu marido, Terje Rød-Larsen.

Passado político e diplomático

Mona Juul não é apenas uma diplomata de carreira. A sua trajetória está profundamente enraizada na política norueguesa. No ano 2000, Juul serviu como Secretária de Estado no Ministério dos Negócios Estrangeiros durante o primeiro governo de Jens Stoltenberg, sob a égide do Partido Trabalhista. O seu marido, Rød-Larsen, também ocupou cargos ministeriais em governos trabalhistas, consolidando o casal como uma das "famílias reais" da diplomacia e política de centro-esquerda da Noruega.

A queda de Juul é particularmente simbólica devido ao seu papel nas negociações secretas da década de 90 que levaram ao aperto de mão histórico entre o primeiro-ministro israelita Yitzhak Rabin e o líder da autoridade palestiniana Yasser Arafat. Agora, esse legado é ensombrado por uma das figuras mais infames do século XXI.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros norueguês confirmou que o diálogo com Juul continuará no âmbito da investigação em curso para apurar a extensão total das ligações e se houve qualquer violação das regras de conduta dos funcionários públicos.

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