Ministério do Interior britânico vigia atividade de Elon Musk nas redes sociais

Ministério do Interior britânico vigia atividade de Elon Musk nas redes sociais

Os responsáveis temem que os conteúdos tóxicos, cuja veracidade da grande maioria não é verificada, partilhados nas redes sociais possam gerar violência.
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O Ministério do Interior britânico intensificou a vigilância das publicações de Elon Musk na rede social X por razões de segurança nacional, na sequência das críticas do empresário ao governo do Reino Unido, revelou esta sexta-feira o jornal Daily Mirror.

O tabloide britânico noticiou que a unidade governamental que controla o extremismo no Reino Unido intensificou a vigilância do que é partilhado naquela rede social, especialmente em relação a contas com um grande número de seguidores, incluindo a de Musk, que é o dono da X.

Um porta-voz do Ministério do Interior recusou confirmar a informação avançada pelo jornal, alegando tratar-se de questões operacionais, mas confirmou a "monitorização regular de fontes abertas" para que as autoridades estejam informadas "sobre o que está a ser partilhado e discutido na Internet".

Ministério do Interior britânico vigia atividade de Elon Musk nas redes sociais
Musk vira-se para o Reino Unido depois da "interferência" na Alemanha

De acordo com o jornal, a unidade antiterrorista tem estado envolvida na análise de conteúdos e na avaliação de riscos.

Os responsáveis temem que os conteúdos tóxicos, cuja veracidade da grande maioria não é verificada, partilhados nas redes sociais possam gerar violência, como aconteceu no verão passado, quando grupos de extrema-direita provocaram motins e chegaram a atacar um hotel onde se encontravam requerentes de asilo.

Elon Musk tem usado a sua plataforma X para lançar fortes críticas ao governo britânico chefiado por Keir Starmer.

A unidade que monitoriza o extremismo faz parte do chamado Grupo de Segurança Nacional, cuja "missão é reduzir os riscos de segurança nacional para as pessoas, a prosperidade e as liberdades do Reino Unido", recordou o Daily Mirror, destacando ainda que o objetivo deste grupo é avaliar o risco terrorista, de agentes ligados a Estados hostis ou de criminosos cibernéticos e económicos.

"Estamos a monitorizar de perto a forma como a desinformação e o ódio podem proliferar, incluindo 'online'", disse uma fonte governamental ao tabloide britânico.

O jornal Financial Times (FT) revelou na quinta-feira que Musk discutiu em privado com aliados uma forma de forçar a destituição do líder trabalhista antes das próximas eleições no Reino Unido, previstas para 2029.

De acordo com informações publicadas pelo FT, o magnata está a investigar a forma de desestabilizar o governo de Starmer, para além das fortes críticas que lançou contra ele no X.

O multimilionário, acrescentou o FT, procurou informações sobre a forma de gerar apoio a movimentos políticos britânicos alternativos, nomeadamente a formação populista de direita Partido Reformista (Reform UK).

Na última semana, Musk apelou à realização de um inquérito nacional sobre casos antigos de exploração sexual de raparigas vulneráveis por grupos de homens, na sua maioria britânicos e paquistaneses, em várias cidades britânicas.

Musk acusou Starmer de ter sido "cúmplice" no fracasso das autoridades em proteger as vítimas e processar os abusadores quando era líder do Ministério Público, entre 2008 e 2013.

Segundo a estação pública britânica BBC, a vigilância das publicações de Musk terá começado depois de ele ter feito comentários sobre a secretária de Estado da Proteção de Dados, Jess Phillips, a quem chamou de "apologista do genocídio por violação" e disse que ela devia ser presa.

Musk, conselheiro do Presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, defendeu ainda publicamente a libertação do extremista anti-islâmico Tommy Robinson, preso no Reino Unido por desrespeito aos tribunais.

Em novembro passado, Trump anunciou a nomeação de Elon Musk para chefiar um novo departamento da administração norte-americana focado na "eficiência governamental".

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