As ameaças dos rebeldes Huthis do Iémen, que anunciaram um bloqueio marítimo à Arábia Saudita, podem provocar "uma escalada regional ainda maior" no Médio Oriente, alertou hoje o porta-voz do secretário-geral da ONU."Estamos muito preocupados com as novas ameaças dos Huthis contra a Arábia Saudita, contra a liberdade de navegação, que podem levar a uma escalada regional ainda maior", disse Stéphane Dujarric à imprensa, apelando a uma "desescalada imediata".Os rebeldes xiitas do Iémen, apoiados pelo Irão, impuseram hoje um bloqueio marítimo contra a Arábia Saudita, após uma troca de tiros entre os dois lados na semana passada.Os Huthis “anunciam um bloqueio marítimo contra o inimigo criminoso saudita, de acordo com o princípio de ‘olho por olho’, com efeito imediato a partir da publicação desta declaração”, disse o porta-voz militar dos rebeldes, Yahya Saree.O responsável explicou a medida como uma resposta ao bloqueio imposto pela Arábia Saudita aos “portos e aeroportos” Huthis, assim como ao ataque da semana passada ao aeroporto de Sana, assegurando que a organização política e militar armada do Iémen, pertencente à minoria muçulmana xiita Zaidita, irá retaliar “a um bloqueio com um bloqueio e a qualquer escalada com uma escalada”.“Qualquer ato insensato cometido pelo inimigo saudita, independentemente da sua escala, será respondido com uma escalada abrangente e decisiva”, assegurou.Há uma semana, os Huthis lançaram mísseis e drones contra o Aeroporto Internacional de Abha, no sul da Arábia Saudita, em retaliação por um ataque do Governo iemenita, apoiado por uma coligação militar liderada por Riade e reconhecido internacionalmente, contra o aeroporto da capital iemenita.O grupo pró-iraniano controla atualmente o noroeste do Iémen, incluindo a capital, Sana.As ofensivas de 13 de julho foram os primeiros ataques recíprocos entre os dois lados desde o cessar-fogo mediado pela ONU em 2022.O espaço aéreo iemenita continua sob controlo da coligação, que exige que as companhias aéreas obtenham autorização prévia para aterrar.No entanto, os Huthis parecem ter desafiado este acordo ao organizarem voos diretos entre o Irão e Sana, provocando a ira das autoridades e do seu aliado saudita.Na passada terça-feira, os rebeldes alegaram ter abatido um drone de reconhecimento pertencente ao reino vizinho.Durante a guerra na Faixa de Gaza, os Huthis interromperam o tráfego marítimo no mar Vermelho e no golfo de Aden, uma via navegável estratégica para o comércio global, intensificando os ataques com drones e mísseis contra navios.O porto saudita de Yanbu, no mar Vermelho, permite ao reino exportar o seu petróleo, contornando o estreito de Ormuz, que está paralisado desde a guerra com o Irão..Médio Oriente: Unicef diz que guerra pode arrastar 23,4 milhões de crianças para a pobreza