A líder da oposição venezuelana foi esta segunda-feira (12 de janeiro) recebida pelo papa Leão XIV no Vaticano, em véspera de viajar para os EUA para reunir na quinta-feira (15 de janeiro) com o presidente Donald Trump. Na audiência papal, que não foi previamente anunciada, María Corina Machado pediu ao líder da Igreja Católica que intercedesse pela libertação dos mais de 800 presos políticos - Caracas diz já ter libertado 116, organizações de Direitos Humanos falam apenas em 53 - e pela rápida transição política na Venezuela.“Tive a bênção e a honra de poder estar com sua santidade e expressar a nossa gratidão pelo seu apoio contínuo ao que está a acontecer no nosso país”, disse María Corina Machado, num comunicado do seu partido, Vamos Venezuela. “Transmiti-lhe também a força do povo venezuelano, que se mantém firme e em oração pela liberdade da Venezuela, e pedi-lhe que intercedesse por todos os venezuelanos que continuam sequestrados e desaparecidos”, acrescentou a Nobel da Paz, que fugiu da Venezuela no início de dezembro, após mais de um ano na clandestinidade, para poder receber o prémio (mas acabou por não chegar a tempo da cerimónia em Oslo)..No mesmo comunicado, a opositora disse também ter pedido ao papa que intercedesse “pelo rápido avanço da transição para a democracia na Venezuela”, lembrando que as eleições de julho de 2024 ratificaram a legitimidade de Edmundo González (o diplomata cuja candidatura apoiou) como presidente - apesar de Nicolás Maduro ter proclamado a vitória.A audiência de María Corina Machado com o papa não estava prevista, tendo sido anunciada apenas depois de acontecer, quando foi divulgada a agenda de encontros que Leão XIV tinha tido de manhã. O Vaticano não se pronunciou sobre o tema, sabendo-se contudo que a opositora também se reuniu com o secretário de Estado, Pietro Parolin.O encontro com o primeiro papa norte-americano ocorre em vésperas de a opositora viajar para os EUA, onde na quinta-feira vai reunir-se com Trump. Maduro foi deposto a 3 de janeiro, numa operação militar dos EUA, tendo sido levado junto com a mulher, Cilia Flores, para ser julgado em Nova Iorque por narcotráfico. A oposição acreditava que tinha chegado a sua hora, mas sofreu também um duro golpe quando Trump optou por colaborar com a até então vice-presidente, Delcy Rodríguez. E disse que María Corina Machado não tinha apoios suficientes na Venezuela..María Corina Machado luta para não se tornar numa vítima colateral da queda de Maduro.Na sexta-feira (9 de janeiro), numa audiência com o corpo diplomático, o papa exortou a Venezuela a “construir uma sociedade fundada na Justiça, na verdade, na liberdade e na fraternidade, e assim sair da grave crise que aflige o país há muitos anos”. Pediu ainda que “a vontade do povo venezuelano seja respeitada” e que “se esforcem por proteger os direitos humanos e civis de todos e por construir um futuro de estabilidade e harmonia”. Segundo o jornal The Washington Post, o Vaticano tentou negociar a saída do poder de Maduro e o seu exílio na Rússia antes da operação militar.Os serviços prisionais venezuelanos anunciaram ontem já terem sido libertados 116 pessoas que tinham sido “privadas da sua liberdade por atos associados à perturbação da ordem constitucional e à ameaça à estabilidade da nação”. Mas a ONG Justiça, Encontro e Perdão contabilizava apenas 53 (24 deles na noite de domingo para segunda-feira)..Instituto Nobel diz que María Corina Machado não pode dar prémio da Paz a Trump