Um pouco por todo o mundo, tem havido protestos contra a decisão de Trump em entrar na Venezuela.
Um pouco por todo o mundo, tem havido protestos contra a decisão de Trump em entrar na Venezuela.FOTO: JEON HEON-KYUN/EPA

Trump enaltece operação militar na Venezuela. Países nórdicos sublinham soberania de Dinamarca e Gronelândia

O líder deposto da Venezuela declarou-se "inocente" no tribunal de Nova Iorque, depois de ter sido capturado pelos EUA, juntamente com a mulher, numa intervenção militar em Caracas.
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“Alternativas” avaliadas por Trump sobre Gronelândia incluem via militar

O Presidente norte-americano, Donald Trump, está a avaliar com a sua equipa "múltiplas alternativas" para tomar posse do território dinamarquês da Gronelândia, incluindo por via militar, afirmou hoje a Casa Branca.

Trump "deixou claro que a aquisição da Gronelândia é uma prioridade de segurança nacional para os Estados Unidos e é vital para manter sob controlo os nossos adversários na região do Ártico”, disse a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt.

“O Presidente e a sua equipa estão a discutir múltiplas opções para cumprir este importante objetivo de política externa e, claro, utilizar as Forças Armadas dos Estados Unidos é sempre uma opção disponível para o comandante-chefe", adiantou, citada pela AFP.

Gronelândia e Dinamarca pedem reunião com secretário de Estado norte-americano

A Gronelândia e a Dinamarca pediram uma reunião com o secretário de Estado norte-americano para debater as recentes declarações de Donald Trump sobre a ilha ártica, disse hoje a ministra dos Negócios Estrangeiros gronelândes.

"O objetivo da reunião é discutir as declarações marcantes dos Estados Unidos sobre a Gronelândia", escreveu Vivian Motzfeldt nas redes sociais.

"Até agora não foi possível para o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, de se encontrar com o governo da Gronelândia. Apesar do governo da Gronelândia e o governo dinamarquês terem, ao longo de 2025, pedido uma reunião ao nível dos ministros dos Negócios Estrangeiros", acrescentou.

Este anúncio surgiu quando se realiza no parlamento dinamarquês uma reunião entre o governo dinamarquês e a comissão parlamentar dos Negócios Estrangeiros sobre as relações entre o reino da Dinamarca, que inclui as Ilhas Faroé e a Gronelândia, e os Estados Unidos.

Países nórdicos assinam declaração conjunta: "Questões relativas à Dinamarca e à Gronelândia devem ser decididas exclusivamente pelas próprias"

Os ministros dos Negócios Estrangeiros da Dinamarca, Finlândia, Islândia, Noruega e Suécia assinaram uma declaração conjunta na qual sublinham a soberania de Dinamarca e Gronelândia sobre as decisões que as envolvem.

"Reiteramos coletivamente que as questões relativas à Dinamarca e à Gronelândia devem ser decididas exclusivamente pela Dinamarca e pela Gronelândia", afirmam os países nórdicos da NATO.

"Enquanto países nórdicos, Estados Árticos e aliados da NATO, estamos coletivamente empenhados na preservação da segurança, da estabilidade e da cooperação no Ártico. Todos nós tomamos medidas para aumentar a dissuasão e a defesa na região, incluindo através de novas capacidades, atividades, presença e maior consciência situacional. Apoiamos o aumento da presença e da vigilância da NATO na região. Aumentámos substancialmente os nossos investimentos em segurança no Ártico e estamos prontos para fazer ainda mais, em estreita consulta com os Estados Unidos e outros aliados da NATO", pode ler-se na declaração.

"A segurança no Ártico assenta no respeito pelos princípios fundamentais da Carta da ONU e do direito internacional, incluindo a inviolabilidade das fronteiras. O Reino da Dinamarca, incluindo a Gronelândia, é membro fundador da NATO e tem trabalhado historicamente em estreita colaboração com os Estados Unidos em questões de segurança no Ártico, incluindo através do Acordo de Defesa entre os EUA e a Dinamarca de 1951, que oferece oportunidades para uma maior cooperação em matéria de segurança", indica a nota.

Trump fala em "façanha militar incrível" na Venezuela: "Ninguém consegue derrotar-nos"

Donald Trump, presidente dos EUA, acaba de enaltecer a "façanha militar incrível" das tropas norte-americanas na Venezuela, numa conferência de imprensa em Washington, durante a qual confirma a morte de cubanos nesta operação para depor Nicolás Maduro.

"A eletricidade de quase todo o país foi cortada e foi nessa altura que perceberam o problema. Nós apanhámo-los de surpresa, mas foi brilhante. Foi brilhante taticamente, algo incrível", sublinhou, reforçando uma ideia que já tantas vezes repetiu: "Temos as forças armadas mais poderosas, mais letais e mais sofisticadas."

"O nosso exército é o mais temido do planeta Terra. Venho dizendo isso há muito tempo. Ninguém consegue derrotar-nos", frisou.

Ação dos EUA tornou "os Estados menos seguros em todo o mundo”, diz ONU

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH, na sigla em inglês) considerou que a intervenção militar dos EUA na Venezuela tornou os "Estados menos seguros em todo o mundo".

“Longe de ser uma vitória para os direitos humanos, esta intervenção militar, que contraria a soberania venezuelana e a Carta da ONU, prejudica a arquitetura da segurança internacional", afirmou esta terça-feira, 6 de janeiro, Ravina Shamdasani, porta-voz do alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Turk. 

"A responsabilização por violações dos direitos humanos não pode ser alcançada através de uma intervenção militar unilateral que viola o direito internacional", reforçou.

A operação militar que resultou na captura de Nicolás Maduro e da mulher, Cilia Flores, “viola o princípio fundamental do direito internacional e a Carta da ONU, que estabelece que os Estados não devem ameaçar ou usar a força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado”, indicou Shamdasani.

Forças de segurança venezuelanas detêm 14 jornalistas

As forças de segurança da Venezuela detiveram 13 jornalistas estrangeiros e um venezuelano na capital, Caracas, informou o sindicato da imprensa.

Numa publicação na rede social X, o SNTP diz que foram detidos na segunda-feira e foram posteriormente libertados, depois de terem sido analisados os seus equipamentos e as aplicações de mensagens.

Perante novas ameaças de Trump, líderes europeus afirmam: "Gronelândia pertence ao seu povo"

Um pouco por todo o mundo, tem havido protestos contra a decisão de Trump em entrar na Venezuela.
"Gronelândia pertence ao seu povo." Líderes europeus, incluindo Portugal, apoiam Dinamarca após novas ameaças de Trump

Trump diz que EUA estão "preparados" para um segundo ataque, caso haja falta de colaboração de Rodríguez 

O presidente norte-americano assumiu que os EUA estão "preparados" para um segundo ataque à Venezuela, caso a presidente interina do país, Delcy Rodríguez, deixe de colaborar com as autoridades norte-americanas.

Em entrevista à NBC News, Donald Trump disse não acreditar na necessidade de realizar uma segunda incursão militar no país. Revelou, porém, que era algo que estava previsto antes de se avançar para a ação militar que levou à captura de Maduro.

"Estamos preparados para fazê-lo", disse. "Na verdade, já estávamos a planear fazê-lo", acrescentou.

Presidente dos EUA diz que Delcy Rodríguez está a cooperar

Donald Trump afirmou à NBC News, na segunda-feira (5 de janeiro), que Delcy Rodríguez, que tomou posse como sucessora de Nicolás Maduro, está a cooperar com os Estados Unidos. Assegurou que os contactos com Rodríguez e com os membros do regime de Maduro só aconteceram após a captura de Maduro .

O presidente norte-americano recusou, no entanto, dizer se já tinha entrado em contacto com a presidente interina da Venezuela, mas afirmou que o secretário de Estado Marco Rubio "fala fluentemente com ela em espanhol" e que a "relação entre eles tem sido muito forte". Afirmou ainda que, em breve, será decidido se as sanções dos EUA contra Rodríguez serão mantidas ou suspensas.

Venezuela não vai ter novas eleições nos próximos 30 dias. "Temos de consertar o país primeiro", diz Trump

Numa entrevista à NBC News, na segunda-feira (5 de janeiro), o presidente dos EUA disse que a Venezuela não vai ter novas eleições nos próximos 30 dias. Considerou que o país não tem condições para a realização de um ato eleitoral, após a intervenção militar levada a cabo pelas forças norte-americanas que levaram à captura de Nicolás Maduro, o agora líder deposto da Venezuela.

“Temos de consertar o país primeiro. Não se pode realizar eleições. Não há como as pessoas votarem”, justificou Donald Trump, reforçando que vai “demorar algum tempo” e que os EUA vão ter de, primeiro, "cuidar do país".

Na mesma entrevista, Trump indicou que o secretário de Estado Marco Rubio, o secretário da Defesa Pete Hegseth, o vice-chefe de gabinete da Casa Branca Stephen Miller e o vice-presidente JD Vance irão ajudar a supervisionar o envolvimento dos Estados Unidos na Venezuela, após a captura de Maduro. O presidente dos EUA disse, no entanto, que é ele quem tem a última palavra.

Trump reiterou que os EUA não estão em guerra com a Venezuela.

"Estamos em guerra com pessoas que vendem drogas. Estamos em guerra com pessoas que esvaziam as suas prisões para o nosso país e esvaziam os seus viciados em drogas e esvaziam as suas instituições psiquiátricas para o nosso país", afirmou.

Controlo dos EUA ameaça infraestruturas sensíveis da China

Um jornal de Hong Kong referiu esta terça-feira, 6 de janeiro, que a tomada do controlo político da Venezuela pelos EUA poderá comprometer infraestruturas sensíveis da China no país sul-americano, incluindo estações de rastreio de satélites e ativos no setor petrolífero.

Após a captura do líder da Venezuela Nicolás Maduro e a sua transferência para Nova Iorque para ser julgado, o presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que os EUA vão “gerir” a Venezuela e “reparar a infraestrutura petrolífera” do país com as maiores reservas de crude do mundo.

Segundo o jornal de Hong Kong South China Morning Post, entre os ativos em risco está a estação de rastreio de satélites de El Sombrero, localizada na base aérea Capitão Manuel Ríos, e a sua estação de apoio em Luepa, no estado de Bolívar.

Construídas pela estatal China Great Wall Industry Corporation, estas infraestruturas operam o satélite de observação terrestre VRSS 2, lançado pela China em 2017, e poderão igualmente servir os esforços mais amplos de rastreio espacial de Pequim, face às crescentes dificuldades para garantir instalações semelhantes noutros países.

A China é também o maior investidor estrangeiro na Venezuela e um dos principais compradores do seu petróleo, de acordo com o jornal. 

Segundo um relatório da estatal chinesa CNPC de 2014, engenheiros chineses modernizaram poços envelhecidos com novas sondas, sistemas de injeção de água e melhorias em refinarias, aumentando a produção até oito vezes em algumas zonas.

Em áreas ambientalmente sensíveis da floresta tropical, as equipas chinesas implementaram normas de segurança e proteção ambiental que valeram ao projeto o Prémio Nacional de Perfuração Verde da Venezuela.

No entanto, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou no domingo que Washington não permitirá que “inimigos dos EUA controlem esses recursos”, numa referência direta à China e à Rússia.

As redes de telecomunicações chinesas também estão sob risco. Empresas como a Huawei e a ZTE, que ajudaram a montar a infraestrutura digital venezuelana, poderão enfrentar sanções ou cancelamento de contratos. A Huawei, presente no país desde 1999, manteve durante décadas uma relação estreita com a estatal CANTV, parceria que poderá agora desmoronar sob um governo mais alinhado com os EUA.

Lusa

Machado agradece a Trump pelas "ações valentes" e diz que planeia regressar à Venezuela "o mais rápido possível"

A líder da oposição da Venezuela, María Corina Machado, agradeceu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pelas "ações valentes" que levaram à captura do líder venezuelano, Nicolás Maduro. São "um enorme passo para a humanidade, para a liberdade e para a dignidade humana".

Durante uma entrevista ao apresentador Sean Hannity, na Fox News, Machado recordou que, em outubro, dedicou a Trump o Prémio Nobel da Paz que lhe foi atribuído.

Machado salientou que teve de deixar a Venezuela em segredo para viajar até Oslo para receber o galardão, embora tenha chegado demasiado tarde para assistir à cerimónia oficial.

A líder da oposição declarou que planeia regressar à Venezuela "o mais rápido possível".

Machado disse ainda que a oposição que lidera transformaria a Venezuela num centro energético para as Américas, restabeleceria o Estado de direito para garantir a segurança do investimento estrangeiro e facilitaria o regresso dos venezuelanos que, segundo diz, fugiram do país desde que Maduro chegou ao poder, em 2013.

A líder da oposição indicou que o movimento que representa alcançaria "mais de 90% dos votos" em eleições livres e justas.

Donald Trump recusou-se publicamente a respaldar María Corina Machado, dizendo, no fim de semana, que esta não tem apoio suficiente na Venezuela para liderar o país.

Lusa

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Tensão EUA - Rússia na ONU: Captura de Maduro gera embate direto entre potências

Tiros dissuasivos da polícia contra drones perto de palácio presidencial da Venezuela

A polícia da Venezuela disparou “de forma dissuasiva” contra drones que sobrevoavam a zona em torno do palácio presidencial de Caracas, na segunda-feira (5) à noite, afirmou fonte oficial à comunicação social.

O incidente ocorreu por volta das 20:00 (00:00 de hoje em Lisboa), pouco mais de dois dias após a captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, por tropas dos Estados Unidos, no final de um ataque à capital.

"O que aconteceu no centro de Caracas foi devido a drones que sobrevoaram a zona sem autorização. A polícia disparou de forma dissuasiva. Não houve qualquer confronto", afirmou fonte oficial, citada pela agência de notícias France-Presse (AFP).

O país inteiro "está em perfeita tranquilidade", continuou.

"Pareciam detonações, muito próximas (...). Não soavam tão alto como o que aconteceu antes [no ataque de sábado]" explicou à AFP um morador, que vive a cinco quarteirões do palácio e que pediu para não ser identificado.

"A primeira coisa que me veio à cabeça foi ver se havia aviões a sobrevoar [o bairro], mas não. Só vi duas luzes vermelhas no céu. Durou cerca de um minuto. Todos olhavam pela janela para ver se havia um avião ou o que estava a acontecer", continuou.

Em vídeos divulgados nas redes sociais, é possível ver o que parecem ser balas traçantes (munições com uma carga pirotécnica na base e cuja trajetória é visível) em direção ao céu, rumo a um alvo invisível.

O incidente mobilizou várias forças de segurança ao redor do palácio, de acordo com os vídeos.

Os Estados Unidos lançaram no sábado “um ataque em grande escala contra a Venezuela” para capturar e julgar o líder venezuelano e a mulher, e anunciaram que vão governar o país até se concluir uma transição de poder.

Maduro e a mulher prestaram na segunda-feira breves declarações num tribunal de Nova Iorque para responder às acusações de tráfico de droga, corrupção e branqueamento de capitais e ambos declararam-se inocentes. A próxima audiência está marcada para 17 de março.

A vice-presidente executiva, Delcy Rodríguez, assumiu a presidência interina do país com o apoio das Forças Armadas.

A comunidade internacional dividiu-se entre a condenação ao ataque dos Estados Unidos a Caracas e saudações pela queda de Maduro.

A União Europeia defendeu que a transição política na Venezuela deve incluir os líderes da oposição María Corina Machado e Edmundo González.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou que a ação militar dos EUA poderá ter “implicações preocupantes” para a região, mostrando-se preocupado com a possível “intensificação da instabilidade interna” na Venezuela.

Lusa

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Maduro diz-se inocente em tribunal. Irmãos Rodríguez consolidam controlo total sobre o Estado venezuelano

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