O Sindicato Espanhol dos Maquinistas Ferroviários (Semaf) convocou uma greve geral do setor para os dias 9, 10 e 11 de fevereiro, depois de um novo acidente fatal na terça-feira à noite (20 de janeiro), desta vez na Catalunha. “Todos nós na Semaf estamos devastados e consideramos inaceitável esta situação de constante deterioração da ferrovia. Várias medidas devem ser implementadas com urgência em toda a nossa rede para garantir a segurança dos profissionais e utentes”, indicou o sindicato em comunicado. A semana negra começou no domingo (18 de janeiro), quando um comboio de alta velocidade descarrilou em Adamuz (Córdoba), levando ao descarrilamento de uma segunda composição que seguia numa via paralela. Entre os 43 mortos (ontem foi encontrado mais um corpo e há ainda dois desaparecidos) estão dois maquinistas, um de 28 anos que estava aos comandos do segundo comboio e outro que era passageiro. Uma homenagem de Estado às vítimas está marcada para 31 de março, em Huelva.A investigação às causas do acidente ainda decorre, mas o foco está numa eventual rutura na linha, por causa de uma soldadura que se pode ter soltado. Em várias zonas da linha de alta velocidade há agora limites de velocidade, depois de alertas dos maquinistas para possíveis defeitos nas vias - é o caso de três pontos na linha entre Madrid e Valência, mas também na linha que liga a capital espanhola a Barcelona.O segundo acidente fatal, ainda antes de terminarem os três dias de luto nacional decretados por Adamuz, ocorreu já na terça-feira à noite (20 de janeiro). Um comboio regional da Catalunha embateu contra um muro de contenção que tinha caído para a via devido ao mau tempo. Um maquinista de 27 anos ainda em formação na operadora estatal Renfe (já tinha trabalhado para outra empresa privada), que seguia na cabina com outros três colegas, morreu e 37 pessoas ficaram feridas no acidente. A circulação de todos os comboios regionais (Rodalies) estava esta quarta-feira (21 de janeiro) suspensa, enquanto os técnicos analisam todas as linhas para garantir que não há mais nenhum troço danificado pelo mau tempo.Também na terça-feira (20 de janeiro), o temporal tinha causado outro acidente, quando um comboio descarrilou devido a um eixo que se soltou após colidir com uma pedra que tinha caído para os carris. Nem o maquinista, nem os dez passageiros que estavam a bordo ficaram feridos.Os vários acidentes estão contudo a causar preocupação entre os maquinistas, que ameaçam com a greve “diante da falta de medidas e atuações suficientes”. O Semaf aconselha-os a reduzir a velocidade, mesmo se não for essa a indicação das autoridades. O sindicato exige ainda “responsabilidade penal às pessoas encarregadas de garantir a segurança na infraestrutura ferroviária”.O ministro dos Transportes, Óscar Puente, disse perceber os profissionais do setor e as “circunstâncias anímicas que atravessam”, mas defendeu o diálogo e considerou que uma greve “não vai contribuir para nada”. O Partido Popular acusou-o de “miséria moral”..Tragédia em Espanha. Comunicações revelam que maquinista não se apercebeu do embate entre os dois comboios