Magnata da imprensa pró-democracia de Hong Kong sentenciado com 20 anos de prisão
JEROME FAVRE/EPA (arquivo)

Magnata da imprensa pró-democracia de Hong Kong sentenciado com 20 anos de prisão

Jimmy Lai foi considerado culpado em 15 de dezembro por três acusações, no desfecho de um julgamento que, segundo os defensores dos direitos humanos, marcou o fim da liberdade de imprensa.
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Um tribunal de Hong Kong sentenciou esta segunda-feira, 9 de fevereiro, o ex-magnata da comunicação social pró-democracia Jimmy Lai, com nacionalidade britânica, a uma pena total de 20 anos de prisão por conluio com o estrangeiro e publicação sediciosa.

Três juízes aprovados pelo Governo de Hong Kong pouparam Lai, cidadão britânico, atualmente com 78 anos, da pena máxima de prisão perpétua. No entanto, dada a sua idade, a pena de prisão pode manter o ex-magnata atrás das grades o resto da vida.

A juíza Esther Toh declarou que 18 anos da pena de Jimmy Lai devem ser cumpridos consecutivamente à pena de prisão no caso de fraude, pelo qual recebeu uma sentença de cinco anos e nove meses e que se encontra a cumprir.

Os co-réus de Jimmy Lai neste julgamento, seis antigos funcionários do jornal Apple Daily - entretanto extinto - e dois ativistas, receberam penas de prisão entre seis anos e três meses e 10 anos.

Jimmy Lai sorriu e acenou para os apoiantes quando chegou ao tribunal, de onde saiu de semblante sério, enquanto algumas pessoas na galeria pública choravam. Questionado sobre se iria recorrer, o advogado do ex-magnata, Robert Pang, disse que não tinha comentários a fazer.

Pena equivale a pena de morte

A organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch considerou uma "sentença de morte" esta condenação.

"A pesada pena de 20 anos de prisão imposta a Jimmy Lai, de 78 anos, equivale, na prática, a uma sentença de morte", afirmou a Human Rights Watch.

"A pena de prisão imposta a Jimmy Lai é um ataque premeditado à liberdade de expressão que ilustra perfeitamente o desmantelamento sistemático dos direitos que outrora caracterizavam Hong Kong", escreveu, pelo seu lado, a Amnistia Internacional, num comunicado.

Já a família de Jimmy Lai classificou a pena como "draconiana" e "cruel".

"Condenar o meu pai a esta pena de prisão draconiana é devastador para a nossa família e coloca a sua vida em perigo. Isto marca a destruição total do sistema judicial de Hong Kong e o fim da justiça", reagiu Sebastien Lai, um dos filhos, num comunicado divulgado pela família do magnata pró-democracia.

A filha Claire lamentou, por sua vez, uma pena "cruel", tendo em conta a saúde em declínio de Jimmy Lai na prisão.

Se Jimmy Lai cumprir a pena, "morrerá como mártir atrás das grades", acrescentou.

Detido em 2020, condenado em 2025

O empresário, fundador do jornal pró-democracia Apple Daily - entretanto encerrado -, corria o risco de ser condenado a prisão perpétua, não obstante as pressões do Reino Unido, dos Estados Unidos e organizações defensoras dos direitos humanos a favor de sua libertação.

Lai foi uma das primeiras figuras proeminentes a ser presa sob a lei de segurança em 2020. Foi considerado culpado em 15 de dezembro por três acusações, no desfecho de um julgamento que, segundo os defensores dos direitos humanos, marcou o fim da liberdade de imprensa de que o território, retrocedido pelo Reino Unido à China em 1997, se orgulhava há décadas.

Jimmy Lai, um crítico do Partido Comunista Chinês, foi preso em 2020 ao abrigo de uma lei de segurança nacional imposta pela China e aprovada nesse ano, que Pequim considerou necessária para a estabilidade da cidade após os protestos antigovernamentais no ano anterior.

A sentença de Jimmy Lai pode criar tensões entre Pequim e governos estrangeiros, depois da condenação já ter suscitado as críticas dos Estados Unidos e do Reino Unido.

Após o veredicto em dezembro, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, revelou que tinha pedido ao homólogo chinês, Xi Jinping para ponderar a libertação de Jimmy Lai, e afirmou que se sentia "muito mal" com a condenação.

Também o Reino Unido pediu que o magnata de 78 anos fosse "libertado imediatamente", com a chefe da diplomacia britânica, Yvette Cooper, a condenar a decisão, considerando-a uma "perseguição por motivos políticos".

Jimmy Lai foi considerado culpado de conluio com pessoas e forças estrangeiras e de publicar artigos sediciosos no Apple Daily, pedindo a forças estrangeiras que impusessem sanções ou bloqueios ou se envolvessem em outras atividades hostis contra Hong Kong ou a China.

Jimmy Lai declarou-se inocente de todas as acusações. Já os seus seis ex-colegas do Apple Daily e os dois ativistas aceitaram a culpa.

Lai está detido há mais de cinco anos. Em janeiro, o advogado Robert Pang disse que o antigo dono do Apple Daily sofria de problemas de saúde, incluindo palpitações cardíacas.

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Jimmy Lai: o magnata dos media de Hong Kong que Pequim abomina

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