Péter Magyar, o adversário político de Viktor Orbán, lançou a campanha para as eleições de 12 de abril um dia depois do primeiro-ministro húngaro, com a aposta no combate à corrupção, na saúde e nos transportes, mas sobretudo com uma mensagem pró-europeia, e que inclui preparar o país para adotar o euro em 2030. A convenção do Partido Respeito e Liberdade (Tisza), criado há dois anos quando Magyar rompeu com o Fidesz, acontece dias depois de ter denunciado uma tentativa de chantagem sexual por parte do governo.Um dia depois de Orbán ter designado a União Europeia — e não a Rússia — como a principal ameaça à Hungria, Magyar deu mostras de que, se o seu partido vencer as eleições, tudo irá fazer para emendar as relações com Bruxelas. Depois de ter estado presente na Conferência de Segurança de Munique, onde manteve contactos com vários dirigentes europeus, apresentou Anita Orbán (diretora global da Vodafone, sem relação com Viktor) como futura ministra dos Negócios Estrangeiros, e anunciou que iria pôr fim ao “afastamento da UE” por parte do seu país. “O lugar da Hungria é na Europa, não apenas porque a Hungria precisa da Europa, mas também porque a Europa precisa da Hungria”, disse aos apoiantes. A deriva autocrática de Orbán custou à Hungria condenações da justiça europeia, bem como a suspensão da transferência de fundos. No caso do Plano de Recuperação e Resiliência, há um ano o país só tinha recebido 8,8% do financiamento planeado devido às violações do Estado de Direito.Na convenção partidária que decorreu em Budapeste, o eurodeputado que se senta na bancada do Partido Popular Europeu realçou algumas das prioridades do seu programa de governo de 239 páginas (em contraste com o Fidesz, que não tem programa). Para tranquilizar os mais céticos num tema que agrega grande parte dos eleitores, Magyar garantiu que não irá mexer na vedação construída na fronteira sul do país para impedir a entrada de imigrantes, tal como irá manter as políticas do Fidesz de combate à imigração. Também se mostrou contra uma via rápida para a Ucrânia aderir à UE.O Respeito e Liberdade está à frente das sondagens de empresas independentes. As duas que dependem do executivo do nacional-populista Orbán deixaram de fazer estudos de opinião sobre as eleições. Devido às mudanças do sistema eleitoral introduzidas para beneficiar o Fidesz, o partido de Magyar terá de alcançar mais seis pontos percentuais a nível nacional e ainda assim depende das alianças (ou desistências) da votação em círculos uninominais, como explicou András Pulai, diretor do instituto de sondagens Publicus, ao jornal Átlátszó.